Empreiteiro Diz Que Parar Túnel do Marquês Pode Custar 500 Mil Euros
Vasco Carvalho, engenheiro do consórcio responsável pela concepção e construção do túnel do Marquês, e testemunha da defesa na acção que está a ser julgada no Tribunal Administrativo de Lisboa, estimou ontem em 500 mil euros ("100 mil contos") os custos de uma paragem da obra na fase em que se encontra.
Embora admitindo perante o tribunal ser "suspeito" nesta matéria, por ser representante da empresa a quem a empreitada do túnel foi adjudicada, Vasco Carvalho explicou o que seria preciso fazer caso a obra parasse por determinação do tribunal administrativo. Ali está desde o passado dia 25 a ser julgada uma acção movida pelo advogado José Sá Fernandes contra a Câmara de Lisboa e contra o consórcio Construtora do Tâmega/CME, por ausência de um projecto de execução concluído e aprovado, falta de estudo de impacte ambiental, estudo de tráfego e de parecer do Ippar.
"Não faz sentido nenhum parar a obra. Teria de haver uma readaptação do projecto e da empreitada. Era preciso concluir alguns trabalhos" para que tal pudesse acontecer, disse.
Ontem ficou a saber-se o que está de facto executado da empreitada. Segundo Vasco Carvalho, na zona das Amoreiras já foram colocadas fiadas de estacas e feitas paredes laterais, e entre a Artilharia Um e as Amoreiras já se está a construir uma laje. "Na zona do Marquês estamos a colocar as estacas", o que constitui parte do processo construtivo adoptado, que "avança por troços", segundo explicou.
Outras obras estão em curso, mas já fora da empreitada do túnel, como é o caso, na Joaquim António de Aguiar e na zona da Fontes Pereira de Melo, de substituição de uma conduta da EPAL e de uma adutora. "A conduta da EPAL está fora do contrato com a câmara. É uma outra empreitada, que está a ser paga pela concessionária", disse Vasco Carvalho.
"Essa conduta era nova. A sua substituição era obrigatória ou é por causa da obra do túnel?", interrogou a acusação. "Isso não sei", respondeu Vasco Carvalho, que também não soube dizer qual o valor da obra, a pagar pela EPAL.
Já relativamente à interferência do túnel do Marquês com o Metro, esta testemunha afirmou que "o projecto de reforço da estrutura [da linha amarela, num troço de 20 a 30 metros] está a ser definido" pela Construtora do Tâmega, que admite a possibilidade de esse "reforço ser feito com fibras de carbono". Mas Vasco Carvalho não soube dizer quem irá pagar essa obra, se o Metro, se a câmara. O facto de o Metropolitano não ter ainda aceite formalmente que a obra se faça levou o engenheiro da Construtora do Tâmega a dizer: "Eu só preciso que a câmara concorde. Só tenho um dono de obra. Houve uma vistoria inicial à estrutura [a galeria do Metro] e foi feito um relatório", disse a testemunha, sem explicitar quais os resultados.
O depoimento desta testemunha não representou grande avanço no processo que está a ser julgado e a própria juíza o salientou no final da sessão de ontem: "O que esta testemunha trouxe não foi nada de novo", disse a juíza Lina Costa, presidente do colectivo de juízes que está a julgar o processo, questionando a defesa sobre quantas mais testemunhas quereria ouvir das 12 que arrolara. Para o tribunal, "já se debateram os aspectos mais importantes" na acção, cujo objectivo é levar a autarquia a suspender a obra para que se façam os estudos considerados necessários - que não foram apresentados, quando em Janeiro passado José Sá Fernandes consultou o processo na câmara.
Com a devida vénia ao Público
Interessantíssima a entrevista ontem publicada no DN a José Augusto França, onde se abordam vários temas ligados à actualidade de Lisboa. Dado o seu interesse reproduzimo-la na íntegra, com a devida vénia ao DN:
Os cardiologistas já descobriram as escadas do seu quarto andar para a prova de esforço?
Acham que faço bem subir duas vezes por dia. Há uma técnica de respiração para subir escadas. E só tenho uns 57 quilos...
Ao fim de tanto ver e escrever sobre os outros, sobretudo na área das artes plásticas, que o levou a voltar-se agora decididamente para a ficção?
Quando escrevi Memórias para o Ano 2000 arrumei aí toda a tentação confessional e idealista, vacinei-me dessa tendência, o que me permite fazer romances que nada têm a ver com memórias.
Em nenhum romance o autor estará como papel branco. Basta lerem-se o seu Buridan e o mais recente Regra de Três...
Os romances têm sempre a ver com experiências do autor. É preciso, no entanto, distinguir o sujeito do complemento directo. Não conheci nenhuma das personagens tal como se apresentam nesses livros.
E nos contos (acabou de publicar Cem Cenas Quadros e Contos) há um certo desespero existencial?
Escrevo-os à mão e surpreendem--me sempre. Nunca sei o que vai acontecer, é como na vida. A literatura está muito perto da vida nesse sentido da surpresa, da imaginação permanente.
Sendo um homem da investigação, da realidade, depois dos 80 anos a ficção é para se compensar?
Sou investigador da realidade como historiador. Investigo e procuro aproximar-me da realidade com os dados que a investigação me dá. Ou então posso imaginar essa realidade, aí é o romancista. Ambos estão diante da realidade, um investiga, o outro imagina. O poeta cria, isso é outra coisa.
Romancista não é um criador?
Cria porque faz coisas, o historiador também. Mas a criação total é o poeta quem a assume. O mais alto é o poeta, sempre. Estou à vontade porque o não sou.
Sei que faz poesia. Por que não publica?
O poeta tem de ser profissional. Profissões tenho estas: professor, historiador e romancista. Considero-me profissional do romance, não é fantasia de um octogenário que desatou a fazer romances; faço-os com toda a consciência profissional.
Existem correntes defendendo que a arte deve ter um sentido amador...
Dizia António Pedro: «Amador é aquele que ama».
Por isso mesmo...
Mas é preciso saber amar. Não basta fazer olhos bonitos à menina, é preciso fazer alguma coisa mais para que o amor se realize.
Amor não dispensa a estética...
Estética, com certeza, sou, todavia, contra o arrebique na forma.
Não gosta do barroco?
O barroco serve muito bem os portugueses, é a maneira de encher o espaço para não dizer nada.
Os grandes mestres do barroco são nada?
Falo do barroco tal como em Portugal foi assumido, que não é o espanhol nem o italiano. Sou pelo Nuno Gonçalves, pelo Marquês de Pombal, pela Lisboa pombalina, contra a Lisboa joanina.
Alguma vez analisou os painéis de Nuno Gonçalves?
Todos aqueles rostos são de gente que está a fazer qualquer coisa para Portugal, a fazer um país novo. Como aquilo foi feito? Ninguém sabe, mas quanto mais teses melhor. É a maior pintura do ocidente europeu do século XV.
Nunca se enganou nas suas críticas?
Com certeza, porém não muito. Talvez tivesse deixado passar uma ou outra coisa que mais tarde procurei recuperar. Tenho uma carreira conscienciosamente consciente.
Enquanto historiador e crítico foi educando o olhar?
Na arte só há uma maneira de lá chegar: ver, ver, ver. Escrevi uma vez: Olhei dez mil quadros, vi mil, estudei cem e compreendi dez. Uma obra de arte é uma garrafa deitada ao mar, encontra-se ou não se encontra.
Como podem as culturas, por exemplo, fomentar o terrorismo?
Não são as culturas que fomentam o terrorismo. Há interesses que se servem das culturas para desencadearem processos circunstanciais. É preciso anular, económica e politicamente, esses interesses.
É das pessoas que faz o que gosta, nem todos conseguem. Não é esse um dos dramas das novas gerações?
O que gostam não será, sobretudo, queixarem-se de não poder fazer? Quando não me deixavam fazer uma coisa não me queixava, procurava reagir. Não fui o único. O remédio não é cantar o fado sobre o que nos acontece, o que é uma coisa muito portuguesa. Antigamente ia-se para os cafés e às vezes aquilo também era o fado do desgraçado... Agora também já não há cafés em Lisboa. Em Paris não se vê uma esquina sem cafés. Trabalha-se muito mais mas as pessoas têm tempo para ir ao café, ler os jornais, estão ali meia ou uma hora e vão à sua vida.
Em transportes acessíveis...
Também é muito importante. Os jornais da tarde em Portugal desapareceram porquê? Porque acabaram os cafés da Baixa. As pessoas saíam às seis horas, passavam pelo café, compravam o jornal e apanhavam o carro eléctrico para casa. Hoje não é possível, falta igualmente o carro eléctrico.
Há alguns. O eléctrico ainda poderia ser uma boa solução de transportes públicos?
Está a pensar-se nele outra vez, no trólei, até em França. O que empata o trânsito não são os eléctricos mas sim os automóveis. Sou apologista dos eléctricos, que estão a regressar a algumas cidades europeias. Concordo, por exemplo, com a aplicação do eco-imposto; em Londres já fez diminuir a circulação de carros na ordem dos 16 por cento. França também está a pensar aplicar essa medida. Fazia grandes passeios de carro eléctrico.
Em especial no 28 que lhe inspirou um livro. Alguma peripécia de que se lembre nessas viagens?
Lembro-me de uma corrida atrás de um carro eléctrico com Eduardo Lourenço. Estávamos em Campolide, ele vinha jantar a minha casa e dissemos: Vamos apanhar o eléctrico. Começámos a brincar com a história dos Maias, de Eça de Queirós: «Ainda o apanhamos, ainda o apanhamos». Corremos. Eu, mais rápido, saltei para o eléctrico e vi-o aflito, pálido, fiquei assustadíssimo. Ele a dizer: «A gente já não tem idade p'ra isto». Tínhamos 50 e tal.
Para a velocidade da vida actual, o eléctrico não anda muito devagar?
Nós é que andamos depressa demais. Criou-se um vício de velocidade e de comunicação. Toda a gente na rua a falar ao telemóvel... Como é que em tão pouco tempo se criou esta nova necessidade? Não se criou uma necessidade, criou-se uma moda.
Não se criando novas necessidades ficaríamos na Idade da Pedra...
Precisamos de saber distinguir entre necessidade e ilusão. Não sou economista, mas está a discutir-se, seriamente, se não seria bom para a humanidade o regresso a situações mais modestas quer de comunicação quer de produção. O progresso não é um progresso estético. Picasso não é melhor que Ticiano, nem Ticiano melhor que Picasso. Cada época tem as suas perguntas e as suas respostas, porém, às vezes tem mais respostas que perguntas.
Diz Maupassant (personalidade que lhe é grata) que «cada artista se esforça por dar e impor a sua ilusão aos outros». Não necessitamos todos de ilusões?
Mas não devemos ser ilusionados. Não devemos ser vítimas das ilusões dos outros. Veja-se o êxito dos hipermercados: uma pessoa vai lá para comprar uma coisa e acaba por comprar dez. E à saída descobriu que se esqueceu de comprar aquela de que precisava.
Tem com Lisboa uma relação de amor-ódio?
Vivi em muitas casas e muitos bairros. Conheço bem Lisboa, o cheiro de Lisboa. A partir dos «alvalades» é que já não sei nada. No tempo do meu pai, o Campo Pequeno era fora de portas e ainda se ia passar o Verão ao Campo Grande. Hoje, para mim, Sete Rios é um mistério. Fico indignado com certas coisas mas não tenho nenhum ódio a Lisboa. É uma linda cidade, ondulada e não só fisicamente. As pessoas são diferentes de um sítio para o outro.
A capital portuguesa é o exemplo acabado dos fluxos imigratórios?
Nos anos 20 ninguém tinha ainda nascido em Lisboa. Era uma imigração que de todo o lado vinha, cresceu durante esses anos, agora parou. De um milhão de habitantes que se contava para Lisboa estamos só com 700 mil. As pessoas vão para a linha ou para a outra banda. Chega a noite, as ruas ficam desertas e começam a ser perigosas.
Lisboa teve uma vida nocturna intensa que passava nomeadamente pelos cinemas e teatros...
Em cada bairro havia um ou dois cinemas, eram um núcleo de convívio, os cinemas viviam dos seus bairros. As pessoas não ficavam em casa como hoje. Calcorreei Lisboa (e Paris) de lés a lés para ver filmes. Os cinemas estão agora mais em supermercados e coisas assim. Desapareceram todas as minhas referências topográficas dos cinemas de Lisboa.
Um público mais jovem responde bem a essa nova localização das salas de cinema...
Responde?, não sei. As salas são mais pequenas, mais fáceis de encher. Vou muito à Cinemateca mas também está pouca gente.
Parque Mayer, que lhe parece?
Tenho uma pergunta: conseguiu-se fazer a chamada «movida» do Bairro Alto, a da 24 de Julho, não será possível uma «movida» no sítio do Parque Mayer?
Uma «movida» que fizesse a integração de tempos?
Que recuperasse valores antigos, restaurantes, cabarés, cinemas, teatros. Coisas que pudessem chamar outra vez gente à Avenida da Liberdade. Acho possível e sem a batota, a batota vão pô-la noutro lado mas sou contra a batota em qualquer sítio.
Teatro de revista ainda faz sentido?
Desapareceram as grandes parcerias de autores, no entanto poderá aparecer nova gente com novas fórmulas. Há hoje uma liberdade de crítica que a revista pode reflectir como aconteceu nos anos 20 e 30 antes de Salazar. O próprio aspecto erótico do Parque Mayer desapareceu, contudo é possível adaptá-lo a novas situações.
Em termos geracionais, os gostos vão ganhando outro perfil à medida que se atinge a maturidade?
A responsabilidade e as chatices da vida modificam as pessoas. Veja-se o fenómeno do futebol. É um fenómeno contínuo, permanente, lúdico. As gerações sucedem-se e os velhinhos, avós, pais, filhos, netos e bisnetos vão gritar pelo seu clube. Julgo ser possível, em relação a outro tipo de divertimento, criar-se psicologicamente um discurso oscilante mas contínuo. Todas as sociedades são movidas ludicamente.
Lisboa está a reconciliar-se com o rio?
Com a reconquista da beira-rio, Lisboa está a recuperar-se. É bom porque Lisboa é o rio.
Mantém a expectativa de ver a Baixa de Lisboa declarada património mundial?
Ainda não tem condições neste momento mas tem potencialidades. Se houver uma boa gestão do actual e uma boa projecção para o futuro, por que não? Essas coisas passam por dois estádios: primeiro fica-se uns anos no purgatório; depois, quando as condições estiverem reunidas, faz-se a votação. Lisboa entrará com certeza porque é a primeira capital moderna do mundo, não só da Europa.
Um cantinho de Lisboa que gostasse de dizer-me: não se esqueça de ir ver...
O Alto do Longo, uma aldeiazinha no Príncipe Real (que foi já passada a polimento...) Andei lá uma noite com Amália. Ela queria fazer uma casa de fados em Lisboa. Marcelo [Caetano] tinha-lhe prometido a Casa dos Bicos. Disse-lhe que a Casa dos Bicos não era para o fado e levei-a ao Alto do Longo, ficou encantada, isto há 30 anos. Mais adiante está o Pátio do Tijolo, com o palacete onde morreu Fontes Pereira de Melo.
Se fosse presidente do município lisboeta qual a primeira medida que tomaria?
Faria como Duarte Pacheco quando foi nomeado presidente da câmara. Desceu a Avenida da Liberdade com um colaborador, a ver aqui, acolá. É preciso ver de perto as pequenas coisas, essa é a maneira de salvar a cidade.
Como caricaturaria Bordalo Pinheiro a actualidade portuguesa?
Tinha pano para mangas.
Criava outro Zé Povinho?
O dele chega perfeitamente. Já reparou que o Zé Povinho nasceu no mesmo ano do Desterrado, de Soares dos Reis? O Desterrado muito triste e o outro a fazer os seus cumprimentos. Portugal está entre as duas coisas. Queres saudades, ora toma!
O humor está em crise?
Fazem-me rir mais os comentaristas sérios.
A sua mordacidade...
Não é mordacidade. Por que diabo um sujeito há-de ter opinião todos os dias sobre uma coisa?
Gostava de poder voltar a nascer?
Qualquer dia tenho um bisneto, chega.
«ENSINO DE ARTES COM ATELIERS LIVRES»
A arte passou a estar mais sujeita às modas dos mercados?
Em Portugal menos, na medida em que não temos realmente um mercado de arte. Um mercado leva três gerações a fazer; estamos numa primeira geração, a anterior abortou. Houve uma explosão mercantil em princípio de 70 com a primavera marcelista; a seguir ao 25 de Abril caiu a pique e, a partir dos anos 80, voltou a subir, todavia não há profissionais no mercado. Há pessoas com uns conhecimentos e umas relações.
Desapareceu a figura do «marchand»?
Agora chamam-se galeristas, uma moda de linguagem; mas se vendem têm de chamar-se «marchands» e não galeristas. Alguns são de uma ignorância crassa.
Acaba sempre por aparecer um público interessado na aquisição de arte?
Há bancos a investir em arte, bem ou mal orientados não sei, às vezes vejo que estão a ser mal orientados e acabam por criar falsas valorizações. Temos em Portugal artistas desvalorizados porque existem outros cuja promoção é mais indiscreta. Alguns coleccionadores estão a passar ao lado de coisas que não sendo moda são valores sólidos. O comércio de livros de antiguidade, por exemplo, caiu imenso. Todos os alfarrabistas se queixam. Há um leilão e os preços não levantam voo.
Em termos de qualidade criativa também é céptico?
Não sou céptico. Não temos actualmente nenhum génio, situamo-nos numa qualidade-média internacional. Não vejo hoje nenhum artista que marque uma posição como, por exemplo, uma Vieira da Silva.
Essa é a tese «depois de nós o dilúvio». Não está muito fechado num tempo?
Há sempre pequenos dilúvios. A terra enxuga outra vez. Não é o fim da história.
O fim da Colóquio/Artes, que dirigiu, uma lacuna não mais preenchida?
Tenho a impressão que a única pessoa que na Gulbenkian lia a Colóquio/Artes era o dr. Azeredo Perdigão, e lia de fio a pavio. Mas as publicações são mortais e as fundações também.
Aumentam os divórcios na cultura?
Qual é a taxa de analfabetismo em Portugal? E não só o analfabetismo, o iletrismo. As pessoas sabem ler e escrever, contudo, não lêem nem escrevem. São alfabetizadas estatisticamente todavia são iletradas de uma maneira muito mais grave. Mesmo os alunos das faculdades não têm capacidade de crítica; chega-se ao fim de um curso de 30 pessoas e só três ou quatro não ficaram pelo caminho. Acabam por ser doutores mas não se cultivaram na sua função discente. Não acontece só em Portugal, os franceses, por exemplo, queixam-se do mesmo.
O ensino das belas-artes deveria ser reestruturado?
Deveria passar, a meu ver, pela criação de uma base teórica estruturada e por um sistema de ateliers livres em que o professor seria escolhido ad hoc. Defendi isso ao presidir recentemente à comissão de avaliação desse ensino.
Não se alterou entretanto o conceito de cultura?
Foi alterado com a desculpa de que a cultura não deve ser elitista. O problema não é que seja elitista ou não, o problema é que deve exigir-se de cada um de nós capacidade de fazer parte dos melhores, de uma república aristocrática no melhor da palavra, e não por cunhas, por batotas. Tivemos uma geração que deu cartas na vida portuguesa: a da Primeira República; depois o Estado Novo representou uma cilindragem política e social. Temos hoje excelentes cientistas que andam pelo estrangeiro mas Portugal foi um ponto de partida e não de chegada.
O Estado Novo caiu há muito. Não se inverteu essa situação?
É isso que me aflige. Tinha três anos quando se instalou a ditadura e saí dela com 50. Sou de uma geração que viveu contra e, quando deixou de haver o contra, ficou-se sem alvo.
Malraux falou do «tempo do desprezo». Será esse o tempo que vivemos?
Um pouco. Olho para os meus companheiros de geração com muita estima e admiração por alguns. Poucos se salvaram na passagem para uma nova situação. Tenho alguma vaidade em dizer que fui um dos que se salvou.
Sonhou com um grande Museu de Arte Moderna em Portugal. Onde está?
Sonhei um pouco em abstracto. Ainda antes do 25 de Abril, achei que arranjaria dinheiro para isso com um imposto sobre o futebol. Não estou hoje tão convencido da necessidade e da possibilidade. O Museu do Chiado responde na medida do possível. Há pequenos núcleos a fazerem coisas positivas na vida portuguesa. Não podemos ser excessivamente ambiciosos.
É membro do Comité Internacional do Património. Este núcleo tem logrado os seus intentos?
A figura de património mundial criada há 30 anos pela UNESCO já salvou muitas coisas de perdição. Deu consciência do valor de património aos respectivos países ou ajudou a mantê-lo em economias mais abandonadas. E criou responsabilidade no detentor de um património específico.
Como sensibilizar as pessoas para a arte, para o património?
A arte deve começar pela educação. Quando dos estados-gerais do Partido Socialista, propus estruturar-se o governo português em dois grandes ministérios de Estado: Ministério da Cultura e Ministério da Economia, os outros seriam de serviços. O da Cultura assumiria ainda a educação. Acharam interessante mas deviam ter pensado que não convinha, não quisesse eu ser ministro...
Chegou a ser convidado ou não?
João Freitas Branco falou-me... Mas estou muito contente de não ter sido. Acabava por estar lá 15 dias e criava muito má fama, já a tenho. Não sou homem de bastidores, nunca fui candidato a coisa nenhuma. Só quero fazer aquilo de que gosto, neste momento escrever romances. Tenho a ideia de fazer também um romance policial. Encontrei um detective, um historiador de arte...
Continua a defender que não deveríamos ter ministro da Cultura?
Para que serve um ministro da Cultura?
Dramático é ter de perguntar-se para que serve...
Não serve para muito. Houve um chamado Malraux, que inaugurou um posto, os outros andaram a reboque.
A memória é um património?
É a nossa referência. Ainda vivemos as civilizações grega e a judaica. Os gregos inventaram o logos, pensamento. Os judeus inventaram outra coisa: o daath (grafia ocidentalizada). Daath, o conhecimento sensível que poderá ser físico também. É o conhecimento por penetração das coisas, que pode ser até sexual no sentido do conhecimento do outro através de um coito.
Dois pólos fundamentais, o intelectual e o sensível?
Dão-nos o conhecimento. Ai do desgraçado que seja um racionalista puro e simples, passa ao lado de uma data de coisas. Ai do que passe também a vida a sentimentalizar todas as situações porque fica à margem do conhecimento.
A razão não tem de afastar as emoções, Damásio o diz...
Damásio está a chover no molhado. O que ele diz, os surrealistas sempre o disseram.
Os surrealistas andam mais pelo sonho, embora o sonho passe pelas emoções...
O surrealismo é um dos elementos do realismo. Vivemos na realidade e essa realidade pode ser também sonhada mas quando estou a sonhar crio realidade. Não vivemos no irreal. O contrário de realismo não é surrealismo, é irrealismo. Surrealismo é ultrapassar, oniricamente, aquilo que o realismo nos dá, enriquecendo esse realismo com o imaginário.
Há quem afirme que, na arte, o real mata.
Copiado, mata. Michaux dizia que o mal não está em pintar a vaca, está em não pintar a alma da vaca.
Tenciona pintar alguma tela?
Não. Mas vou atirar-me a um romance sem fim, vou morrer a escrever um grande romance, uma sinfonia inacabada.
Habituamo-nos a um José-Augusto França que diz não ser nostálgico mas acabo de ver como é capaz de se emocionar...
Sou um sentimental como todos os portugueses.
Criou em Portugal o primeiro mestrado de História de Arte. Catedrático, historiador notável, o seu génio é indissociável do pioneirismo da crítica de artes no nosso país. O ensaísmo e a investigação devem-lhe muitas obras de referência sejam sobre romantismo ou modernismo. Dirigiu a Colóquio/Artes e o Dicionário da Pintura Universal. Membro do Comité Internacional d'Histoire de l'Art, presidiu a diversos organismos culturais. Foi responsável pelo Centro Cultural Gulbenkian em Paris. Nascido em Tomar, divide-se entre Jarzé (França) e Lisboa. A memória visita a infância e juventude no 35 da Av. da Liberdade, porém, em termos arquitectónicos elege o 220. Ainda o apego à Sétima Colina, ao Monte Olivete, ao Jardim da Estrela. Mais a eterna paixão pela Lisboa pombalina. Cinéfilo sem cura. Como ficcionista estreou-se com Natureza Morta (1949). Mas a ficção, depois de Memórias para o Ano 2000 (Livros Horizonte), assume-a agora em pleno com Buridan, Regra de Três (Quetzal); e Cem Cenas Quadros e Contos (Acontecimento). Acaba de lançar O Pombalismo e o Romantismo (Presença). Almada Negreiros vai ser a personagem do romance que escreverá no Verão. Em Maio sairá outro inspirado em «amores misteriosos» de Eça. Uma tela? Essa, de duas tábuas e uma vela a crescer do fundo preto, de Noronha. «É o quadro da minha vida». Vai ficar no seu museu em Tomar, a inaugurar a 9 de Maio com a presença do Presidente da República, Jorge Sampaio.
Sobre a Casa de Eça, Santana Lopes respondeu a Vasco Pulido Valente. Leiam aqui.
Em Abril serão publicadas duas obras sobre Lisboa a não perder. Marina Tavares Dias prossegue o estudo de roteiros temático. Desta vez publica “Lisboa nos Passos de Pessoa”, como de costume na Quimera. Já Alfredo Saramago, edita “História da Alimentação de Lisboa e seu Termo”, na Assírio & Alvim.
O Avenida Palace é um ex-libris de Lisboa. A revista Pública dedicou-lhe ontem seis páginas. Com a devida vénia, reproduzimos aqui o texto sobre a história deste monumento de Lisboa.
Com mais de um século de existência, o Hotel Avenida Palace é um marco na cidade de Lisboa. Um edifício de seis pisos situado na pequeníssima rua 1º de Dezembro que liga o Rossio à Avenida da Liberdade. Do Palace vê-se a cidade a crescer pela Avenida acima, espreita-se o Rossio, a Baixa e o castelo de São Jorge. A história passa e Avenida Palace mantém-se monumental. Da sua varanda assistiu-se aos assassinatos do rei D. Carlos e do presidente Sidónio Pais, alvejado a tiro em Dezembro de 1918 enquanto se dirigia para o hotel.
O Avenida Palace conserva hoje a dignidade dos seus tempos áureos. Até meados do século XX apenas tinha como rival o desaparecido Hotel Aviz. Mas este símbolo da vida cosmopolita lisboeta conserva também as marcas de períodos conturbados. Na II Guerra Mundial, o Avenida Palace era simultaneamente um centro nevrálgico de espionagem e uma camarata improvisada na largueza dos seus corredores. A falta de camas em Lisboa obrigou a direcção do hotel a inventar quartos que não passavam de colchões no chão e biombos em vez de paredes. É que os tempos de guerra não rimavam com os luxos do Palace.
O livro de registos do hotel é, como seria de esperar, um desfilar de figuras ilustres que ajudaram a criar a aura de glamour associada à casa. O famoso burlão Alves dos Reis trocou o Hotel Metrópole no Rossio pelos aposentos do Palace e também o diplomata e Presidente da República Manuel Teixeira Gomes o tinha como o seu hotel de eleição. Até o imperador japonês Hirohito passou aqui a sua lua-de-mel e, entre muitas outras figuras, encontramos "mon amie" François Mitterrand: o ex-presidente da república francesa era um habitué da casa.
A actual direcção tomou em mãos o destino do Avenida Palace em 1964, numa altura em que já se sentia a concorrência feroz de outras unidades hoteleiras. O Palace já não era o único e necessitava modernizar-se. Os actuais proprietários captaram os sinais do tempo e empreenderam um processo de recuperação que levou vários anos. Para estes "aprendizes de estalajadeiro", como se auto-definem, não há fórmulas para se fazer um bom hotel. No entanto, o nosso discreto anfitrião não se lembra de um dia sem passar no n.º 123 da rua 1º de Dezembro e revela o único segredo que conhece: "Tem que se sentir", afiança.
Os tempos áureos do Avenida Palace remontam à primeira metade do século XX e estão interligados com a história da Estação do Rossio. Os edifícios foram construídos na mesma época, em finais do século XIX, e representavam a modernidade e luxo que chegavam finalmente a Lisboa. A cidade mudava de configuração e o Passeio Público foi demolido para dar lugar à Avenida da Liberdade, um projecto do urbanista Ressano Garcia, inaugurada em 1886.
A Companhia Real dos Caminhos-de-Ferro encomenda ao arquitecto José Luís Monteiro a Estação Central de Comboios - o Rossio - e um edifício de apoio administrativo com um restaurante de luxo no primeiro piso. No entanto, devido à intensificação do tráfego ferroviário e à pressão da companhia belga Wagons Lits, a grande operadora ferroviária dos comboios expresso europeus, a proposta alterou-se e, em vez de um edifício de escritórios, José Luís Monteiro pôde projectar um hotel de charme, ao nível de outros Palaces da Europa.
O hotel abria com pompa e circunstância a 10 de Outubro de 1892, como noticiava, orgulhoso, o Jornal de Notícias: "um estabelecimento de primeira ordem, moderno, elegante, luxuoso que se pode enfileirar ao lado dos primeiros do género nas grandes cidades europeias."
Assim, ao lado da gigantesca gare central ao estilo neo-manuelino inaugurada em 1890, Lisboa via nascer, dois anos depois, o Hotel Internacional, mais tarde rebaptizado como Avenida Palace pela Wagons Lits, que o adquiriria em 1990.
Viajar de comboio nesse tempo era uma aventura, misto de luxo e savoir vivre só acessível a algumas bolsas. E a Wagons Lits era a companhia que garantia luxo e conforto aos seus passageiros que usavam as linhas expresso entre as capitais europeias. O Sud-Express fazia Lisboa-Paris em 33 horas e saía todos os dias do Rossio. O Avenida Palace estava em perfeita harmonia com tais luxos. O edifício era imponente, quase ocupando um quarteirão. Lá dentro a língua franca era o francês, os jantares eram acompanhados por orquestra e mereciam destaque nos jornais.
Sinal da relevância do Palace é essa célebre ligação umbilical com a estação do Rossio. A gare comunica com o 4º piso do hotel através de um corredor que embora hoje esteja trancado a sete chaves não deixa esquecer as memórias do passado. Por ali só passava a fina-flor da aristocracia e da burguesia endinheirada que chegavam no Sud-Express e entravam directamente no Avenida Palace. Uma passagem por uma Lisboa apenas desenhada a luxo e modernidade com laivos de boémia. De facto, a vida nocturna lisboeta passava necessariamente por ali. Mesmo ao lado, no Palácio Foz, que o Conde Sucena alugava quase a retalho, funcionava o cabaret Maxim's, na Sala dos Espelhos, e também o café Abadia frequentado por tertúlias artísticas e literárias da Lisboa dos anos 20.
O artista e poeta futurista Almada Negreiros foi acidentalmente um dos ilustres hóspedes do Avenida Palace. Não que o autor do mais famoso retrato do poeta e companheiro Fernando Pessoa pudesse pagar a diária do hotel, mas um inesperado acontecimento acabaria por forçar José de Almada Negreiros a algumas pernoitas no Palace.
Na revista Portugal Futurista, editada em 1917, Almada Negreiros e o arquitecto José Pacheco anunciavam a chegada a Lisboa da companhia de dança Les Ballets Russes, que influenciariam a obra do artista. O elogio, sob a forma de manifesto muito ao gosto da época, rezava assim:
"Escuta: OS BAILADOS RUSSOS estão em Lisboa! Isto quer dizer: Uma das mais bellas étapes da civilização da Europa Moderna está na nossa terra!"
Os Ballets Russes representavam para Almada e para os futuristas uma suprema manifestação de arte incorporando nas suas criações trabalhos de artistas como Picasso, que fazia figurinos para a companhia, os coreógrafos e bailarinos Nijinsky e Massine e ainda o compositor Stravinsky.
Os dois amigos, subscritores do rasgado elogio, foram ao Rossio esperar a companhia de Diaghilev que chegava no Sud-Express vinda de Madrid para uma temporada nos palcos portugueses.
Sarah Affonso, a mulher do artista, recorda no livro "Conversas com Sarah Affonso" esse momento, quando a companhia chega ao Rossio em 5 de Dezembro de 1917, o dia em que estala a revolta que levaria Sidónio Pais ao poder.
"Chegaram durante uma revolução. Já havia tiros na rua. Tiveram que ir para o hotel, o Avenida Palace que tinha uma passagem que ligava a estação ao hotel. E o José não podia sair do hotel e o Diaghilev disse para o José "tu ficas connosco" e ele ficou. E fez uma grande amizade com o Massine." Lembra.
Durante uns dias Almada ficou hospedado no Palace a convite da companhia. Foi o início de uma longa amizade entre o artista e o coreógrafo e bailarino Léonide Massine.
Mas nem o manifesto entusiasta dos futuristas convenceria o público e crítica portugueses, de gosto conservador, que assistiam no Coliseu e também no São Carlos com bastante indiferença e indignação às representações dos Ballets Russes.
Esta é mais uma das histórias possíveis que ficam na História do Avenida Palace. Muitas outras ficaram guardadas na memória de quem por lá passou, viveu ou trabalhou. O que descobrimos deste passeio com o nosso anfitrião é que também a privacidade é a alma do negócio.
João Appleton, especialista em estruturas e membro do Conselho Superior de Obras Públicas e Transportes, disse ontem ao tribunal que parar uma obra como a do túnel do Marquês não é desejável e pode suscitar riscos. Além de ser oneroso para o dono da obra e aumentar o desconforto para a população durante um período de tempo acrescido, pode implicar problemas de segurança e, em casos extremos, risco de colapso, disse Appleton, referindo-se à generalidade das suspensões de obra.
"Uma paralisação é uma decisão que custa tempo e dinheiro. Uma das consequências para o dono da obra pública é ter de pagar indemnização ao construtor. Há um prolongamento do tempo de execução que não é imputável ao empreiteiro", disse João Appleton, testemunha arrolada pela defesa. Aplicado ao caso do túnel do Marquês - projecto que a testemunha afirmou ao tribunal desconhecer -, suspender a sua construção poderia significar que a câmara teria de indemnizar o consórcio Construtora do Tâmega/CME.
Além disso, explicou a testemunha, há outra componente que pode agravar os riscos, caso a obra seja suspensa e o empreiteiro se retire da obra. "As estruturas de contenção estão estudadas para duas fases: a construtiva e a final, que têm diferentes níveis de economia e segurança". Na fase construtiva, a estrutura tem um prazo de duração que é inferior à final - de seis meses a um ano, adiantou João Appleton. E "se o empreiteiro se retirar da obra, e ela ficar sujeita a chuvas torrenciais, pode haver um agravamento súbito, o que é mais grave por não estar lá ninguém", acrescentou, respondendo a questões colocadas pela defesa.
Só quando a defesa insistiu e o questionou sobre um eventual risco de colapso nesta obra, João Appleton escusou-se a responder: "Isso é uma pergunta que só pode dirigir ao projectista" do túnel do Marquês, disse.
As novas peças documentais
Ontem, no segundo dia de julgamento, soube-se que afinal a câmara e o empreiteiro têm na sua posse mais documentação do que aquela que em Janeiro passado foi mostrada a José Sá Fernandes, quando este consultou o processo.
Ao tribunal, a defesa mostrou alguma, e pediu para juntar aos autos um sem número de novas peças documentais, parte delas bastante tranquilizadoras, já que permitiram saber que, já na fase de execução, têm sido desenvolvidos esforços para garantir mais segurança à obra.
Entre essa documentação constam: relatórios de vistorias a parte dos prédios existentes na zona de influência da obra, nos quais foram colocados fissurómetros, instrumentos de medida para avaliar impactes no edificado; resultados de duas campanhas de sondagens para conhecer as características geológicas do subsolo - uma feita em 2003, outra em 2004, já na fase de execução de obra.
Soube-se também que houve colocação de piezómetros, instrumentos para medir os níveis das águas subterrâneas. E embora algumas destas medições tenham sido consideradas "insuficientes" para que possam constituir verdadeiros estudos hidrológicos, na opinião de João Appleton, traduzem já alguns passos no sentido de alcançar os objectivos da segurança da obra.
Quanto à questão de uma obra poder começar sem ter o projecto de execução concluído e aprovado - uma dos aspectos que levaram Sá Fernandes a considerar a construção do túnel ilegal -, Appleton explicou que "numa concepção-construção é inevitável que não exista projecto concluído à data da adjudicação", em particular quando se trata de um concurso público. Isso obrigaria os empreiteiros a desenvolver soluções que depois iriam para o lixo, à excepção da proposta que ganhasse, disse. E quando a defesa lhe perguntou qual o prazo razoável para que esse projecto esteja concluído, respondeu: "Entre seis meses a um ano".
Outra testemunha ontem ouvida foi o coordenador da obra, Vítor Damião, segundo o qual ainda não foi aprovada a solução construtiva a adoptar para a fase em que o túnel do Marquês vai passar perto das galerias do metro. "Esse projecto está em avaliação. Não posso dizer que este é o método porque ainda não está aprovado", disse Damião ao representante do Ministério Público que quis perceber como se constrói um túnel.
No entanto, esta testemunha salientou que a proximidade do túnel em relação ao metro, na zona do Marquês, não implica maior perigo ou riscos em matéria de soluções construtivas.
"Há uma galeria que passa a dois, três metros do metro, o que aparentemente parece muito grave, mas é a estrutura mais fácil de fazer", disse o engenheiro Vitor Damião. "É uma escavação que tem de ser perfeitamente controlada, mas é uma estrutura exequível", acrescentou o coordenador da obra.
Com a devida vénia ao Público
Vasco Pulido Valente analisa a polémica Maria Filomena Mónica versus Santana Lopes sobre a já famosa Casa de Eça. Leiam.
A suspensão imediata das obras do túnel do Marquês, e a sua eventual reformulação técnica foram a nota dominante dos depoimentos das testemunhas apresentadas pelo advogado José Sá Fernandes que, através da acção popular que moveu contra a Câmara de Lisboa e empreiteiros no Tribunal Administrativo de Lisboa, pretende ver reconhecidos os seus intentos junto do colectivo de juízes presidido por Leonor Costa.
A ausência de estudos de tráfego consistentes a fundamentar a decisão de construir o túnel é razão suficiente, segundo o professor do Instituto Superior Técnico (IST), Nunes da Silva para parar esta obra.
De acordo com este urbanista e especialista em transportes, «o que existe é uma contagem de tráfego e ainda por cima incompleta. Surpreendentemente, ela parece justificar a não necessidade do túnel. É que menos de metade do tráfego que vem da A5 é que chega à Rua Castilho. Por isso, o túnel só interessa a um terço dos carros que chegam às Amoreiras. Quando se faz a análise da situação na Rotunda, aí apenas um terço vai para a Fontes Pereira de Melo».
Neste contexto, para Nunes da Silva «justificar-se-ia apenas o túnel até à Rua Artilharia 1». Por outro lado, o plano de circulação elaborado para a autarquia pelo especialista do IST, José Manuel Viegas para a fase de obra, «já apontava desvios de tráfego descongestionando a zona directa da obra», refere. «Logo na altura o prof. Viegas viu nesse plano que era possível transferir tráfego desta para outras zonas da cidade. Tal facto, por si só justificaria que não se fizesse este túnel até ao Marquês», ironiza Nunes da Silva que sustenta ainda «o túnel até ao Marquês é uma via rápida debaixo do chão que vai atrair mais carros para o centro da cidade».
Ao longo do dia depoimentos de outros especialistas chamados por Sá Fernandes incidiram sobre questões como a ausência de projecto de execução e de estudos hidrológicos e geotécnicos. Manuel João Ramos, da Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados falou sobre segurança rodoviária e em especial sobre a «perigosa inclinação do túnel de 8,9 por cento em mais de 500 metros, que vai contra normas europeias brevemente a adoptar em Portugal, com efeitos rectroactivos. Estas dizem que não pode haver túneis com mais de 5 % de inclinação em mais de 120 metros de extensão».
Com a devida vénia ao DN
Ao Fumaças pelo 1º aniversário. É um exemplo na blogosfera.
Foram vários os blogues que já linkaram o Olissipo. Só temos de estar reconhecidos. Em breve retribuiremos.
O outro Template, muito para o escuro, não estava de acordo com o carácter primaveril, alegre e envolvente da luz de Lisboa. O novo Template parece-me mais de acordo com a alma de Lisboa. Aceitam-se críticas.
À Leonor. Pela saudação. Também pensámos o mesmo.
Está ao rubro a polémica sobre a instalação da casa Eça de Queirós, que a CML pretende criar, em homenagem ao grande escritor. Depois de artigo no Público d eontem de Maria Filomena Mónica, queirosiana encartada, Pedro santana Lopes responde hoje na sua coluna no Diário de Notícias.
Uma vantagem já teve a polémica. Hoje, o Presidente da CML assume que sabe que o imóvel onde a CML pretende instalar a casa, não é o mesmo que ocupa as páginas de Os Maias.
Há um ano que os fotógrafos Paulo Catrica, António Júlio Duarte e Pedro Letria, em colaboração com a equipa do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa e um conjunto de investigadores de Ciências Sociais, preparam a exposição "Uma Cidade de Futebol - Espaços e Emoções" para ser um espaço de reflexão sobre o desporto que mais aficionados tem em Portugal.
O pretexto da exposição surgiu com o Euro 2004 e permitiu dar corpo a este projecto que Paulo Catrica idealizava há algum tempo. "Em Portugal, o futebol tendo uma exposição mediática tremenda, mas não tem mecanismos de reflexão", diz o fotógrafo.
Coincidindo com o 10º aniversário das actuais instalações do Arquivo Fotográfico Municipal, altura de balanço para este aparelho cultural da Câmara Municipal de Lisboa, a proposta feita a estes fotógrafos ultrapassa a criação da exposição. O trabalho de recolha de imagens continuará durante a realização do Euro 2004, para que os jogos possam ficar para a posterioridade no espólio do Arquivo Fotográfico.
A exposição, que estará no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional e no Arquivo Fotográfico Municipal, em Lisboa, de 6 de Maio a 30 de Julho, junta o velho com o novo, permitindo perceber como evoluiu não só o futebol e o impacto deste desporto na paisagem da capital, mas também a própria técnica e olhares fotográficos sobre o jogo. Para isso, foram escolhidas aproximadamente 130 fotos do espólio do Arquivo Fotográfico, que mostram uma Lisboa histórica e futebolística desde o início do século até 1974.
Artur Gouart, Joshua Benoliel, Ferreira da Cunha, António Passaporte e Armando Serôdio são alguns dos autores, e Amadeu Ferrari - pioneiro da fotografia desportiva em Portugal, de quem Nuno Ferrari adoptou o nome - é o mais representado neste conjunto de imagens de época.
"Estes fotógrafos tinham uma perspectiva profissional, não tiveram tempo para reflexão como nós", diz Paulo Catrica, que com António Duarte e Pedro Letria revisitaram alguns dos locais das imagens do passado.
O lado menos visível do futebol
Cada um dos três fotógrafos procurou um olhar sobre o futebol diferente do que é o habitual no jornalismo desportivo:"Usando o guião que as fotos históricas deram, trabalhámos numa perspectiva autoral.", diz Paulo Catrica.
Os bastidores do jogo - balneários e aspectos médicos - e os jogos anónimos pela cidade, foram os temas de Pedro Letria, que também fotografou écrãs de televisão para obter uma imagem segunda dos jogos de futebol. António Duarte também trabalhou um lado menos visível deste desporto, o futebol feminino, contrapondo duas equipas com diferentes condições de trabalho.
O impacto do futebol na paisagem de Lisboa foi a principal preocupação de Paulo Catrica que acompanhou o processo de destruição e de reconstrucção dos principais estádios, e as festas de inauguração que se seguiram. Outras formas de estar no futebol povoam ainda as imagens deste fotógrafo de paisagens urbanas, com campos dispersos pela cidade em que os jogadores sem público "têm uma candura e inocência ainda", porque, constata o fotógrafo, "o futebol tem mais importância às vezes que a política, que as grandes tragédias, e abre telejornais."
Com a devida vénia ao Público
1147 - Conquista de Lisboa aos Mouros
1170 - Foral aos Mouros Forros
1179 - Foral de D. Afonso Henriques
1256 - Transferência da Chancelaria Régia para Lisboa
1290 - Fundação do Estudo Geral em Lisboa
1323 - Recontro de Alvalade
1373 - Cerco de D. Henrique II de Castela
1383 - A Revolução de 1383
1384 - Primeiro Cerco de D. João I de Castela
1384 - Segundo Cerco de D. João I de Castela
1496 - Expulsão dos Judeus
1497 - Partida de Vasco da Gama para a Índia
1500 - Foral de D. Manuel I
1513 - Data Provável do Início do Loteamento do Bairro Alto
1540 - Primeiro Auto-da-Fé em Lisboa
1580 - Batalha de Alcântara
1581 - Entrada de D. Filipe II de Espanha, I de Portugal
1588 - Partida da Armada Invencível
1589 - Cerco de D. António e da Armada Inglesa
1619 - Desembarque de D. Filipe III, de Espanha, II de Portugal
1640 - Restauração da Independência de Portugal
1647 - Tentativa Frustrada de Regicídio
1662 - Embarque de D. Catarina, futura rainha de Inglaterra
1717 - Divisão Administrativa de Lisboa em Ocidental e Oriental
1755 - Terramoto
1756 - Casa do Risco das Obras Públicas
1764 - Início das Obras do Passeio Público
1780 - Início da Iluminação Pública
1796 - Fundação da Real Biblioteca Pública de Lisboa
1803 - Motins de Campo de Ourique
1807 - Entrada dos Franceses
1821 - Desembarque de D. João VI
1835 - Primeiros Cemitérios Públicos
1836 - Belenzada
1897 - Primeiro Espectáculo de Cinema em Lisboa
1904 - Aprovação do Plano de Urbanização das Avenidas Novas
1908 - Regicídio
1910 - Proclamação da República
1926 - Entrada do Marechal Gomes da Costa
1940 - Exposição do Mundo Português
1942 - Abertura do Tráfego do Aeroporto de Lisboa
1945 - Aprovação do Plano de Urbanização do Bairro de Alvalade
1958 - Candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República
1959 - Inauguração do Metropolitano
1966 - Inauguração da Ponte 25 de Abril
1974 - Revolução dos Cravos
1985 - Assinatura do Tratado de Adesão à Comunidade Económica Europeia
1988 - Incêndio do Chiado
Ao artedeopinar e ao congeminações, os comentários agradáveis que fizeram ao Olissipo.
Lisboa, é uma cidade de vales e colinas abertas sobre o rio. O clima ameno, a abundância de fauna e flora terão determinado a sua ocupação por povos primitivos. A partir da colina do Castelo, a cidade foi crescendo. Fenícios, Gregos e Cartaginenses aqui fundaram colónias. Os romanos consolidaram a sua vocação portuária e piscatória; a polis integrada no itinerário imperial, desenvolveu-se. Construíram-se numerosos edifícios, nomeadamente fórum, templos, termas, palácios, vilas e um teatro.
Com as ocupações bárbaras dos Alanos, Suevos e Visigodos a urbe entrou em declínio. O florescimento surgiu com a ocupação muçulmana (719-1147); construiu-se a Cerca Moura, destacando-se no seu interior a alcáçova e a medina. A Lisboa mourisca desenvolveu-se com a construção de novos bairros, dentro e extramuros, num tecido espontâneo e anárquico de ruas sinuosas e estreitas, num percurso labiríntico ainda existente no Bairro de Alfama.
Conquistada pelo rei D. Afonso Henriques (1147) a cidade conheceu um grande florescimento com a fixação da corte, reforçando a sua função urbana como capital do reino (1256). O aumento demográfico originou o aparecimento de grandes núcleos habitacionais em zonas não amuralhadas tornando imprescindível a construção da Cerca Nova ou Fernandina. Na cidade medieval destacavam-se os grandes edifícios religiosos e os largos conventuais que, a par do Rossio, eram os espaços públicos mais importantes.
No século XVI os Descobrimentos portugueses transformaram Lisboa no centro mercantil da Europa. Na zona da ribeira ergueram-se os edifícios ligados ao trato comercial das especiarias; o Terreiro junto ao novo Paço tornou-se, a par do Rossio, no centro político e comercial. A cidade cresce junto ao rio, na Ribeira encontramos a Casa dos Bicos, dos Albuquerques, heróis na Índia; e nos arredores, a Oriente, o Convento da Madre de Deus; a Ocidente, o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, monumentos que constituem os mais belos exemplares do estilo Manuelino, inspirado em motivos marinhos, celebrizando a conquista dos Mares. Data desta época a construção do Bairro Alto, pensado para marinheiros e artesãos foi, mais tarde, notabilizado com a instalação de muitos palácios. Tradicionalmente boémio é, actualmente, uma área de encontro noctívago devido à proliferação de bares e casas de fado.
Durante o domínio espanhol (1580-1640) embelezou-se o palácio real com novo torreão; sendo por ocasiões solenes as principais praças e ruas engalanadas com um conjunto de arquitecturas efémeras à luz do gosto barroco. Já no século XVII a capital de D. João V, custeada pelo ouro do Brasil, queria-se magnífica e faustosa. Novos conventos, igrejas e numerosos palácios surgiram pela cidade, mas a grande obra joanina foi o Aqueduto das Águas Livres, que permitiu assegurar o abastecimento regular de água através dos numerosos chafarizes então construídos.
O devastador terramoto de 1755 atingiu as áreas mais povoadas da cidade; a reconstrução da Baixa pombalina é testemunho do espírito iluminista. Obedecendo a um plano urbanístico de quadrícula aberta, a cidade viu consagrar as duas grandes praças públicas do Rossio e do Comércio.
A primeira é o centro comercial de Lisboa, tradicional ponto de encontro, aí se encontram os mais antigos cafés, teatros e restaurantes; a segunda, corolário da Lisboa pombalina, porta aberta para o Tejo, local de partida e chegada, com as suas arcadas, arco do triunfo (1873) e monumento do rei D. José I é uma das mais belas praças do mundo.
No século XIX o liberalismo introduz uma nova vivência social; os principais locais eram a Baixa e a zona elegante do Chiado onde proliferavam as lojas, tabacarias, cafés, livrarias, clubes e teatros. O desenvolvimento industrial e comercial determinou o crescimento da cidade, traçado para o interior a partir da abertura da Avenida da Liberdade (1879), distanciando-se do Tejo.
O Estado Novo (1926-1974) expandiu e aformoseou a cidade, à custa do resto do país, segundo moldes nacionalistas e monumentais. Surgiram novas urbanizações e edifícios públicos; modificou-se a zona de Belém com a Exposição do Mundo Português (1940) e, na periferia da cidade, apareceram bairros sociais. A inauguração da ponte sobre o Tejo possibilitou uma rápida ligação entre as duas margens do rio.
Os anos que se seguiram à Revolução de Abril foram de euforia e de modernização.
Nos anos 90 lançam-se as bases para a reabilitação dos bairros históricos; valoriza-se o património cultural e arquitectónico; recupera-se toda a zona ribeirinha agora local de lazer e convívio; constrói-se a nova ponte Vasco da Gama; reabilita-se toda a área Oriental para a realização da Exposição Mundial dos Oceanos (1998). À entrada do novo século Lisboa é uma cidade de múltiplos contrastes, moderna e antiga, que fascina os que a visitam.
Lisboa não se vê, sente-se: olhando os navios que chegam e partem do rio; calcorreando vales e colinas através das ruas estreitas e dos empedrados artísticos; observando as gentes que passam; no cheiro da sardinha assada que percorre os bairros populares durante as festas da cidade e, no fado que canta, à noite, a saudade.
A História por Trás do Antigo SLAT
Quem hoje veja a fachada do antigo Hospital de Arroios virada à Praça do Chile, janelas escancaradas, um ar de abandono total, imagina que se está apenas à espera que caia. E não imagina sequer que o imóvel possa ter valor patrimonial que o salvaguarde de intervenções radicais. Dele apenas se guarda uma imagem de passagem, de fachadas austeras, ou a recordação dos momentos de espera passados no Serviço de Luta Anti Tuberculose (SLAT) pelos estudantes que até aos anos 90 ali iam fazer as micros (radiografias) a apresentar nas inscrições liceais. Na última década, o hospital tem estado fechado e sem qualquer uso, o mesmo acontecendo com a igreja que se avista da rua Quirino da Fonseca - a zona mais nobre do imóvel - e que fazia parte do antigo colégio conventual da Companhia de Jesus. Construído em 1705, com financiamento de D. Catarina de Bragança, o convento de Arroios funcionou até 1755 como colégio de formação dos jesuítas, missionários no Oriente. Resistente ao terramoto de 1755, o convento não resistiu, porém, às ordens do Marquês de Pombal, que em 1756 o mandou ocupar pelas freiras Concepcionistas Franciscanas. Em 1890, o convento ficou devoluto e o Estado tomou conta do imóvel, que foi transformado num hospital. O antigo espaço conventual sofreu então alterações: o aumento de um piso no seu corpo principal e outros acrescentos feitos nos anos 40/50 do século XX. Ao longo dos anos, de lá desapareceram painéis de azulejos da primeira metade do século XVIII que revestiam a entrada do convento e vandalizados foram também os bancos de lioz encastrados nas paredes. Apesar dos sucessivos maus-tratos, uma vistoria feita em 2003 considerava que "o imóvel não se encontra de modo nenhum em situação de ruína iminente".
Com a devida vénia do Público
Do que estamos a falar quando falamos de Lisboa?
Geografia de Lisboa
Cidade capital de Portugal localizada na margem direita do rio Tejo, junto à foz, a 38º 42´30,5´´ da latitude N e a 9º de longitude O de Greewich e à altitude entre 6 m e 226 m (Monsanto).
O concelho de Lisboa abrange a área de 84 Km2 e a sua população residente total é de 556 797 habitantes (2001, Censos). A chamada zona da Grande Lisboa ocupa cerca de 2.750 Km2 e tem uma população de 2,1 milhões de pessoas, que diariamente se deslocam para a capital, constiuindo uma população flutuante que lhe imprime uma dinâmica cosmopolita.
Sítio da CML
Embora não concordemos com tudo o que consta deste anúncio, também entendemos que é necessário defender o pulmão verde de Lisboa. Daí publicarmos este anúncio:
ATENÇÃO!!
SANTANA LOPES ESTÁ A PERMUTAR TERRENOS VALIOSOS NO CENTRO DA CIDADE COM
ESPAÇOS VERDES DE MONSANTO PARA A INSTALAÇÃO DE VÁRIOS EQUIPAMENTOS COMO:
FEIRA POPULAR
HIPÓDROMO
A PARTE DOS RESTAURANTES DA FEIRA POPULAR VAI SER NO PARQUE DO CALHAU, UM
ESPAÇO VERDE COM UMA INCRÍVEL UTILIZAÇÃO!
MONSANTO NÃO É UM ESPAÇO LIVRE!
MONSANTO É UM ESPAÇO VERDE FLORESTAL!
TEMOS QUE LUTAR POR MONSANTO DESDE JÁ! Oo ELEVADOR DO CASTELO NÃO PASSOU E
ESTAS IDEIAS TAMBÉM NÃO VÃO PASSAR!
DIA 21 DE MARÇO - DIA MUNDIAL DA FLORESTA - DOMINGO (10H)
MANIFESTAÇÃO PACÍFICA PEDONAL OU DE BICICLETA
LOCAL DE ENCONTRO: PARQUE DE ESTACIONAMENTO DO PARQUE DA SERAFINA (MONSANTO)
APAREÇAM! NÃO PODEMOS PERDER ESTA CAUSA!
mais informações
ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS E UTILIZADORES DE MONSANTO COM O APOIO DA PLATAFORMA
POR
MONSANTO
96 273 0939 OU 96 290 9731
À Sara Xavier, à MP e ao Leonel Vicente, por terem também assinalado o Olissipo.
Ao CAA do Blasfémias, qua assinalou simpaticamente o nascimento do Olissipo, embora chamando-lhe blogue regionalista. Não levamos a mal, até porque aqui no Olissipo conhecemos bem a tendência de olhar para os outros exactamente como julgamos que os outros olham para nós. Mas aqui no Olissipo curtimos as blasfémias do pessoal irreverente do Porto. Até achamos graça.
Feira do Livro de Lisboa
Um dos genuínos chiques de Lisboa é dizer mal da Feira do Livro. Mas ela insiste em prestar relevantíssimos serviços ao livro, à leitura, aos lisboetas e à cultura em geral, num país onde pouco se lê.
A 73ª Edição da Feira do Livro abre ao Público em Lisboa , no dia 29 de Maio.
A inauguração será as 18h30. A Feira de todos os livros instala-se no Parque Eduardo VII , acolhendo leitores e autores num grande encontro em volta do livro.
Saiba tudo aqui.
O Fado é, hoje em dia, um símbolo mundialmente reconhecido de Portugal, desde há muitos anos representado no estrangeiro por Amália, e mais recentemente por Dulce Pontes e Mariza, entre outros. Pelo mundo fora, ao nome do nosso país, associam-se de imediato duas coisas: as toiradas e o Fado. Adquirindo diversas formas consoante seja cantado no Porto, em Coimbra ou em Lisboa, o Fado é, por direito próprio, a expressão da alma portuguesa.
O nosso país está, desde o seu nascimento, embebido num cruzamento de culturas. Foram primeiro os diversos povos que habitaram a zona que mais tarde se transformaria em Portugal e que deixaria os seus traços, foram os que invadiram o país já depois do seu nascimento, e são, ainda hoje, os diversos povos que aqui habitam e que contribuem para uma cultura comum. É neste sentido que é complicado apontar com toda a certeza a origem do Fado, mas todos os estudiosos garantem que esta remonta há muitos séculos atrás.
A explicação mais comumente aceite, pelo menos em relação ao fado de Lisboa, é de que este teria nascido a partir dos cânticos dos Mouros, que permaneceram nos arredores da cidade mesmo após a reconquista Cristã. A dolência e a melancolia daqueles cantos, que é tão comum no Fado, estaria na base dessa explicação.
Há no entanto quem diga que na realidade o fado foi entrou em Portugal, mais uma vez pela porta de Lisboa, sob a forma do Lundum, uma música dos escravos brasileiros, que teria chegado até nós através dos marinheiros vindos das suas longas viagens, cerca de 1822. Só após algum tempo é que o Lundum se foi modificando, até se ter transformado no nosso Fado. A suportar esta hipótese está o facto de que as primeiras músicas dentro do género estavam de ligadas não só ao mar como às terras para lá daquele, onde habitavam os escravos. Veja-se o exemplo de uma das músicas cantadas pela Amália, chamada "O Barco Negro", que fala precisamente de uma sanzala.
Uma outra hipótese considerada remonta o nascimento do fado à idade média, à época dos trovadores e dos jograis. Já nessa altura se encontravam nas músicas características que ainda hoje o facto conserva. Por exemplo, as cantigas de amigo, que eram os amores cantados por uma mulher, têm grandes semelhanças com diversos temas do fado de Lisboa. As cantigas de amor, que eram cantadas pelo homem para uma mulher, parecem encontrar parentesco no Fado de Coimbra, onde os estudantes entoam as suas canções debaixo da janela da amada. Temos ainda, da mesma época, as cantigas de sátira, ou de escárnio e mal dizer, que são ainda hoje mote tão frequente do fado, em críticas políticas e sociais.
De qualquer modo, o fado parece ter surgido primeiramente em Lisboa e Porto, sendo depois transportado para Coimbra através dos estudantes Universitários (já que Coimbra foi, durante muitos anos, a cidade Universitária por excelência), e tendo aí adquirido características bastante diferentes.
Nasceu um novo blogue sobre Lisboa. É este. Chama-se Olissipo. Este é um blogue para divulgar e reflectir sobre histórias de Lisboa, sobre Lisboa na História e sobre a história de Lisboa.
É dedicado a todos aqueles para quem Lisboa é uma paixão. Lisboa tem sete marcas. As pessoas. As pedras. A poesia. O mar. A música. A luz. E o futuro.
São estas as colinas de quem tem Lisboa no coração.