A Sara Xavier também tem uma exposição sobre Almada Negreiros.
A não perder a exposição sobre a obra gráfica de Almada Negreiros, em exibição no Palácio Galveias, em Lisboa. Centrada no período em que o artista viveu em Madrid, a exposição tem um bom complemento no livro «Marginália», entretanto editado pela Assírio & Alvim.
As galerias comerciais do Palácio Sotto Mayor, edifício de inícios do século XX situado na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, abrem hoje ao público, depois de a inauguração ter estado prevista para Novembro de 2003. A superfície comercial, com uma área aproximada de oito mil metros quadrados, tem 80 lojas, entre as quais se incluem sapataria, cabeleireiro, loja de antiguidades, joalharia, florista e loja de decoração. Entre as marcas de pronto-a-vestir representadas encontram-se a Burberrys, Kenzo, Dolce & Gabbana, Versace, Moschino e Roberto Cavalli.
Além de marcas já conhecidas do público, serão introduzidas duas novas lojas de vestuário, a espanhola Simorra e a francesa Café Coton. Na zona destinada à restauração marcam presença a comida tradicional portuguesa, a gastronomia italiana, doçaria, gelataria e um salão de chá, situado num dos espaços do antigo palácio. O empreendimento, que representou um investimento de cerca de 70 milhões de euros, inclui, além do Palácio Sotto Mayor, um centro empresarial, um hotel e um parque de estacionamento com 500 lugares. No palácio, ocupado também por espaços comerciais, funciona, no último piso, a Embaixada da Colômbia. Para 2005 está prevista a inauguração de um "health center" com 4.500 metros quadrados. O projecto, da autoria do arquitecto Gastão da Cunha Ferreira, pretendeu "articular e harmonizar duas intervenções arquitectónicas separadas por 100 anos de distância". "Procurou-se uma arquitectura sóbria que valorizasse o palácio e sua traça, mas que não concorresse com ele", explica-se no "site" da internet de divulgação do empreendimento.
O Palácio Sotto Mayor, classificado como imóvel de interesse público pelo Ippar, foi mandado erguer pelo banqueiro Cândido Sotto Mayor, que demoliu um solar oitocentista que ali existia para construir a sua nova residência. O edifício foi projectado pelo arquitecto Ezequiel Bandeira e terminado, em 1906, por António Rodrigues Nogueira, capitão de engenharia do exército.
Com a devida vénia ao Público
Os "Glamourosos" 50 Anos do Hotel Lisboa Plaza
Junto ao degradado Parque Mayer, o Hotel Lisboa Plaza comemora esta semana meio século de "glamour". Para trás ficam histórias de abastados clientes do norte que ali passavam longas temporadas e de famílias que vinham à capital fazer compras.
Foi no dia 28 de Abril de 1954 que o Hotel Lisboa Plaza, então Hotel Condestável, abriu as suas portas junto a um animado Parque Mayer, numa época em que o teatro de revista e os artistas viviam tempos áureos.
Cinquenta anos passados, o Parque Mayer é hoje um espaço decadente, ao passo que o hotel mantém o "glamour" e o ar acolhedor de outros tempos, recriado pela decoradora Graça Viterbo, que imaginou pequenos recantos que convidam à leitura, ao descanso ou à mera conversa.
Na época em que rareavam as salas de espectáculo e em que os grandes armazéns de roupa escasseavam, "os casais endinheirados da província vinham a Lisboa, duas ou três vezes por ano, fazer compras para a família e para a casa", diz Joaquim Ribeiro, actual chefe das reservas e da recepção do hotel, recordando como era o ambiente do Plaza quando ali chegou, em 1966.
Muitas das famílias que ficavam hospedadas no hotel acabavam por ir dar um passeio ao Parque Mayer, assistir a uma peça de teatro ou simplesmente tentar encontrar nas esplanadas as "famosas" estrelas do teatro de revista.
As luzes das salas de cinema e de teatro da Avenida da Liberdade também seduziam os clientes do hotel que queriam ocupar os tempos livres, recorda Joaquim Ribeiro, reconhecendo que na década de 60 toda aquela zona da cidade era bem mais animada, "às vezes até demais".
VELHOS TEMPOS
"Esta zona era muito animada: havia o Parque Mayer, cinemas e imensos bares nocturnos causadores da pancadaria que havia todas as noites aqui na rua. Isto era bem mais animado", ironiza Joaquim Ribeiro.
Além das visitas à capital para compras e lazer, havia quem ficasse hospedado no hotel por questões de trabalho: "os grandes industriais do norte" ficavam longas temporadas em Lisboa para tratar de negócios.
"Na altura, fazer uma viagem Porto/Lisboa demorava imenso tempo, não é como agora. Por isso, as pessoas vinham e ficavam hospedadas vários dias", diz por seu turno João Fevereiro, director comercial e funcionário da casa há mais de quatro décadas.
Segundo João Fevereiro, "antigamente, havia pessoas que ficavam aqui durante meses e que acabavam por adoptar os funcionários como sua família. Por exemplo, os escritores que queriam privacidade ou os juízes que eram mudados de comarca ficavam nos hotéis".
João Fevereiro também chegou ao Lisboa Plaza em 1966, mas o mais antigo funcionário é Manuel Barros Rodrigues, que este domingo comemorou o seu 45º aniversário como empregado hoteleiro, onde começou a trabalhar como mandarete.
Os 14 anos de Manuel Barros permitiam-lhe calcorrear diariamente a Avenida da Liberdade e as ruelas adjacentes para satisfazer os mais pequenos desejos dos clientes do hotel em troca de uma pequena gorjeta.
"Eu fazia serviço de rua, acompanhava os clientes aos quartos, levava as malas. Na altura éramos cerca de 10 mandaretes, mas essa função entretanto desapareceu", recorda Manuel Barros, hoje com 60 anos.
O chefe de cozinha Manuel Dias Francisco é também um dos mais antigos funcionários do hotel, contratado para satisfazer os clientes, apesar de ter trabalhado sempre nos bastidores, na "brigada da cozinha".
De calças às riscas brancas e pretas, avental branco e chapéu alto, o chefe Dias Francisco recorda as mudanças verificadas nos hábitos alimentares e de confecção nas últimas quatro décadas.
"As coisas na cozinha também mudaram muito. Antes, as vitelas chegavam aqui inteiras e nós é que tínhamos de as tratar. Havia um responsável para lavar os tachos e amanhar o peixe, um que estava só responsável pela carne. A brigada da cozinha era composta por 10 a 12 empregados, hoje são cinco ou seis, também já vem tudo preparado", comenta o chefe.
Além do funcionamento da cozinha, a própria alimentação mudou: "antes era tudo muito confeccionado, ao passo que hoje as pessoas estão muito preocupadas com a alimentação e só querem coisas saudáveis".
"Na altura em que o hotel foi inaugurado havia 23 hotéis em Lisboa. Hoje existem quase 115. As coisas mudaram muito, algumas funções desapareceram, o tipo de exigência é diferente e os próprios clientes mudaram", diz Manuel Barros.
Apesar de hoje a maioria dos clientes do Lisboa Plaza ser constituída por ilustres desconhecidos que ficam apenas alguns dias, o hotel mantém os traços de um ambiente familiar. Como "nos bons velhos tempos".
Com a devida vénia à Lusa
Sete Catamarãs Iniciam Travessia do Tejo em Maio
Ligação Barreiro-Terreiro do Paço vai demorar menos dez minutos
Sete catamarãs entram em funcionamento entre 5 e 12 de Maio, assegurando as ligações entre o Barreiro e o Terreiro do Paço até agora realizadas por nove navios com mais de 30 anos, anunciou ontem fonte da transportadora Soflusa.
A entrada em funcionamento das sete embarcações, que permitem reduzir o tempo de cada viagem de 30 para 20 minutos, estava prevista para este mês, mas, justificando a dilatação de prazos, o presidente da Soflusa, João Franco, disse à Lusa que se trata do "normal planeamento" do serviço.
O mesmo responsável avançou que, até Agosto, a empresa ficará dotada com mais dois catamarãs de reserva. Embora as novas embarcações tenham lotação inferior aos actuais navios, João Franco ressalvou que a "frequência de carreiras será maior". Cada embarcação tem capacidade para transportar 600 passageiros, estando previsto haver, nas horas de ponta, carreiras de oito em oito minutos.
Desde Outubro que dois catamarãs fazem a travessia fora das horas de ponta. Reconhecendo a necessidade da renovação da frota, aguardada há décadas pela população do Barreiro, os sindicatos do sector têm contestado a redução da tripulação prevista e o modelo de embarcação, invocando razões de eficácia e de segurança.
Os sindicatos ligados ao transporte fluvial de passageiros têm advogado a renovação da frota com navios convencionais modernos, com capacidade idêntica aos dos actuais, que permitissem reduzir o tempo de percurso com menos custos. Defendem também a manutenção de seis tripulantes.
A Soflusa (ex-CP) opera com nove navios, dois dos quais fretados pela Transtejo, única accionista da empresa. Com lotação variável entre os 800 e os 1.600 lugares, os navios têm uma média etária superior a 30 anos.
Refutando os argumentos dos sindicatos, a administração tem invocado que os catamarãs são embarcações mais rápidas, cómodas e que a redução para quatro tripulantes foi fixada pelo Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos. O número de tripulantes ultrapassa, segundo a empresa, a média estabelecida para embarcações do género em circulação no resto da Europa em condições adversas.
A Soflusa, que garante desde 1993 as ligações fluviais entre Barreiro e Lisboa, transporta, em média, 10,5 milhões de passageiros por ano. A renovação da frota representou um investimento público de 50 milhões de euros.
Com a devida vénia à Lusa
Passagem de jardim a parque na mão da AML
Arrasar o jardim central para dar lugar a um parque de estacionamento subterrâneo. É esta a questão que divide os habitantes da Praceta José Lins do Rego, em Lisboa, numa barreira de (o)posições intransponível desde há sete anos e que parece agora perto do fim, agendada que está a votação para o dia 4 de Junho, em assembleia municipal.
«É inconcebível quererem devastar este espaço verde quando os logradouros (zona de barracas, lixeiras, tráfico de droga e outros negócios ilícitos) são uma alternativa óbvia», indigna-se Carlos Fontes, da Associação de Moradores da Zona Oriental do Campo Grande, alegando a existência de «interesses transversais e de uma total desconsideração» da parte da Câmara de Lisboa, que «sempre se recusou a visitar a zona e a estudar outro local que não o jardim».
Uma leitura diferente faz o secretário da Associação Auto-Parque Lins do Rego, Pequito Cravo, garantindo que os logradouros não são da autarquia, mas das antigas Caixas de Previdência. «Além de pertencerem a privados, o espaço que ocupam é muito inferior ao da nossa praceta», contrapõe ao DN, chamando a atenção para os custos que acarretaria a reformulação, nesta altura do "campeonato", de um projecto desta envergadura. «Nem os moradores estão interessados em deixar o carro longe quando podem tê-lo na praceta», argumenta o responsável.
UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA
Maria do Rosário Oliveira, uma bióloga que vive na José Lins do Rego há «30 e tal anos», afirma que a destruição do jardim traz consigo «um problema de saúde pública», por funcionar como contraponto à poluição atmosférica da zona. Outros moradores insurgem-se contra o fim «de um dos poucos espaços lúdicos que existem para adultos e crianças». Mais: segundo informações dadas ao DN, os bombeiros são muitas vezes chamados aos prédios 4 e 6, em situação instável devido a águas subterrâneas.
«E querem eles escavar sob os alicerces de edifícios cujas traseiras estão a cair», comenta Carlos Fontes, resumindo a posição da Associação da Zona Oriental: «Queremos que deixem o jardim em paz, que requalifiquem os logradouros (onde há uma escola primária e gente a injectar-se constantemente), que vejam as alternativas. Sabemos que duas das barracas pertencem ao presidente da Auto-Parque Lins do Rego, mas daí a não quererem ver o óbvio...»
Pequito Cravo afirma que o novo jardim, a construir sobre o parque subterrâneo num investimento da ordem dos 150 mil euros, «vai dignificar a zona e dar-lhe uma qualidade dez vezes superior à actual, com mesas, bancos e pedra de liós».
Com a devida vénia ao DN
Santana Lopes 'culpa' o Governo
A Câmara Municipal de Lisboa não fez um estudo de impacte ambiental à obra do túnel do Marquês porque a informação que lhe foi transmitida pelo Governo - através do secretário de Estado do Ambiente - indicou que «não era necessário», disse ontem Santana Lopes na Assembleia Municipal de Lisboa.
Na sua intervenção perante os deputados municipais, Santana alegou que «tudo o que era exigível à câmara cumprir foi feito» e frisou que a questão do estudo de impacte ambiental «foi posta a quem de direito, o secretário de Estado do Ambiente, que nos disse que não era preciso», afirmou Santana Lopes. «Não íamos apresentar um estudo, porque se o fizéssemos isso iria abrir um precedente gravíssimo para todas as obras em zonas urbanas», acrescentou.
Este argumento não convenceu a oposição, que sustentou a tese contrária. «Vossa excelência não quis fazer o estudo e não percebeu que o deveria mandar fazer independentemente de ele ser obrigatório ou não. O que é um facto é que continuamos sem saber se a câmara vai ou não fazer o estudo de impacte ambiental», afirmou Miguel Coelho, do PS.
Recusando «comentar a decisão do tribunal em termos políticos», Santana Lopes disse que as sentenças dos tribunais são para se cumprir e a câmara vai fazê-lo. «Mas não temos problemas em discordar da decisão de um tribunal», sublinhou o autarca, deixando assim uma porta aberta para a possibilidade de o município vir a recorrer da decisão produzida pelo colectivo de juízes.
Destacando o facto de ter sido dada razão à câmara em muitas das acusações que lhe eram feitas pelo requerente da acção popular, o advogado José Sá Fernandes, Santana Lopes enumerou um a um os pontos aos quais o tribunal não deu provimento: «Quanto ao parecer do IPPAR, o tribunal deu razão à câmara. Não era preciso; quanto à necessidade de um plano de circulação, o tribunal deu razão à câmara. Não há violação do PDM em termos de vias principais; Falta de projecto de execução? O tribunal deu razão à câmara, atestando a sua existência e recusando a suspensão da obra por essa razão. Inexistência de consulta pública? O tribunal deu razão à câmara porque fez todos os actos de consulta previstos. Divulga-se o que convém, o que não convém não se divulga», criticou Santana Lopes.
Com a devida vénia ao DN
José Eduardo Martins assume responsabilidade, mas contesta decisão do Tribunal
Túnel do Marquês: secretário de Estado diz que lei não obriga a estudo de impacte ambiental
O secretário de Estado do Ambiente, José Eduardo Martins, reagiu esta manhã às explicações do presidente da Câmara de Lisboa sobre a inexistência de um estudo de impacte ambiental da obra do Túnel do Marquês, assumindo a responsabilidade por o estudo não ter sido realizado. Contudo, o secretário de Estado diz não compreender a decisão do Tribunal Administrativo, porque a lei não obriga que uma obra deste tipo seja precedida por um estudo de impacte ambiental.
Em declarações à TSF, José Eduardo Martins responde às palavras de Santana Lopes que, na primeira declaração após a decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa de suspender a obra até à realização de um estudo de impacte ambiental, em sequência de uma acção popular movida em Janeiro pelo advogado José Sá Fernandes, responsabilizou o Governo pela falha.
"A entidade perante a qual tem de se apresentar o estudo disse sempre que não era necessário apresentar o estudo de impacte ambiental", disse ontem Santana Lopes na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), referindo-se ao Ministério do Ambiente e à figura do secretário de Estado.
Hoje, o secretário de Estado do Ambiente explica que a lei não obriga à realização de um estudo de impacte ambiental. "Este não é um projecto que esteja na listagem taxativa dos anexos do decreto-lei que em Portugal transpôs a legislação europeia sobre avaliação de impacte ambiental", disse à TSF, citando uma explicação do um inspector-geral do Ambiente.
"Não há nenhuma dúvida de que, apesar de esta via ser uma via com duas faixas e separador central, não está abrangida nas tipologias de vias que obrigatoriamente têm de ser sujeitas à avaliação de impacto nos termos da nossa legislação", sublinhou o secretário de Estado José Eduardo Martins.
Com a devida vénia ao Público
É inaugurado em Lisboa o monumento aos Restauradores.
O Olissipo linkou hoje alguns blogues amigos e retribuiu a simpatia de outros que linkaram o Olissipo. Aqui ao lado.
Obras do túnel do Marquês suspensas
ÚLTIMA HORA: Decisão do Tribunal Administrativo dá razão a providência cautelar de José Sá Fernandes. Falta estudo de impacto ambiental
A decisão do Tribunal Administrativo dá razão à providência cautelar do advogado José Sá Fernandes que pedia a impugnação das obras do túnel do Marquês, por falta da realização de um estudo de impacte ambiental, avançou a TVI.
Ainda não há reacções da Câmara Municipal de Lisboa.
Recorde-se que entre as ilegalidades apontadas por José Sá Fernandes estão a inexistência de um projecto de execução completo, a falta de estudos de tráfego, ambientais e do sub-solo.
Também na semana passada, a Comissão Europeia veio exigir à autarquia o cumprimento da legislação que obriga à realização do estudo de impacto ambiental para poder construir o túnel do Marquês, refere um documento deste organismo.
Na altura, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, contestou a posição da Comissária Europeia do Ambiente sobre a obrigatoriedade de um estudo de impacte ambiental para a construção do túnel.
Com a devida vénia ao Portugal Diário
É onde fica a Livraria Municipal. É um espaço agradável onde se podem encontrar as principais obras de olissipografia disponíveis, Vale bem uma visita. Hoje, especialmente, que é Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.
Prémio Valmor Distingue pela Primeira Vez Espaços Públicos
O Pavilhão de Portugal, do arquitecto Siza Vieira, o Pavilhão do Conhecimento dos Mares, de João Carrilho da Graça, e os Espaços Públicos da Expo, da autoria de Manuel Salgado receberam ex-aequo o Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura relativo a 1998, que lhes foi atribuído pela Câmara de Lisboa.
"É uma boa notícia, fico muito contente porque pela primeira vez é reconhecido o valor do espaço público. Gostava de continuar a poder fazer muitos mais espaços públicos na minha cidade e uma área que bem o merecia é a que fica entre Santa Apolónia e o Terreiro do Paço", disse ao PÚBLICO Manuel Salgado quando soube que lhe fora atribuído um prémio Valmor pela obra executada para a Expo-98.
Incontactável estava ontem o arquitecto Álvaro Siza Vieira, em viagem de trabalho a Itália. "Muito satisfeito" ficou também o arquitecto João Luis Carrilho da Graça, salientando que "é muito importante o reconhecimento público [do valor] do Pavilhão do Conhecimento dos Mares, e o facto de ter um Prémio Valmor poderá se tido em conta, face a eventuais alterações ao edifício, que teve um carácter inovador. Foi a primeira vez que se usou em Portugal o betão claro num edifício de grandes dimensões e houve colegas que na altura consideraram o edifício muito arrojado. Mas depois disso já houve outros", disse Carrilho da Graça, sublinhando que o projecto de estruturas contou com a participação da Arup, uma empresa de engenharia de mérito internacional, que trabalhou também no Pavilhão de Portugal.
Duas das três três menções honrosas relativas a 1998 disseram também respeito a obras da Expo-98: O Pavilhão Multiusos, de Regino Cruz e Nicholas Jacobs, e o Oceanário, de Peter Chermayeff. A terceira coube ao edfifício Vitória, na Avenida da Liberdade, do arquitecto Fernando Pinheiro.
Ontem foram ainda divulgados os restantes prémios Valmor que ainda não tinham sido atribuídos. O de 1997 coube ao edifício Bagatella, da autoria de João Duarte Ferreira. Uma menção honrosa foi atribuída ao edifício administrativo da Parque Expo, da autoria do atelier Arqui III, de João de Almeida, Pedro Ferreira Pinto e Pedro Emauz Silva. Em 1999 o júri entendeu não haver nenhuma obra digna do primeiro prémio e atribuiu apenas uma menção honrosa, à Faculdade de Medicina Veterinária, na Ajuda, um projecto do arquitecto João Lúcio Lopes.
O Prémio Valmor relativo a 2000 coube ao arquitecto Gonçalo Byrne, pela edifício C8, o do Departamento de Física e Química da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, ao Campo Grande.
Para o mesmo ano, o júri atribuiu uma menção honrosa a um conjunto de edifícios de escritórios, na Avenida da Torre de Belém, da autoria do arquitecto José Silva Pires.
No ano de 2001, o Prémio Valmor coube ao Atrium Saldanha, um edifício projectado pelos arquitectos João Paciência e Ricardo Bofill.
Do júri fizeram parte o presidente da Câmara de Lisboa, Santana Lopes, a vereadora da Cultura, Maria Manuel Pinto Barbosa, o arquitecto Nuno Teotónio Pereira, em representação da Ordem dos Arquitectos, o arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles e a arquitecta Madalena Cunha Matos, da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa.
Com a devida vénia ao Público
Comissão Europeia Dá Razão a Ambientalistas Sobre Túnel do Marquês
A Comissão Europeia deu provimento à queixa que várias associações ambientalistas portuguesas lhe apresentaram por causa de o túnel do Marquês de Pombal, em Lisboa, estar a ser construído sem que as obras tenham sido precedidas de um estudo de impacto ambiental.
Num "fax" enviado às cinco associações que constituem a Plataforma pelo Referendo ao Túnel, a comissária europeia do Ambiente, Margot Wallström, explica que entidade que representa decidiu "chamar a atenção das autoridades portuguesas" para a legislação europeia sobre a matéria, nomeadamente a directiva 85/377/CEE de 27 de Junho de 1985, que diz respeito à avaliação dos efeitos de certos projectos - sejam eles públicos ou privados - sobre o meio ambiente. A Câmara de Lisboa, que sempre defendeu que tinha realizado as "medições devidas" quanto ao impacto ambiental da obra e que o túnel iria "reduzir a poluição acima do solo" manteve-se ontem em silêncio sobre esta decisão. Por outro lado, os juristas da autarquia têm considerado que a abertura de túneis em vias municipais está isenta deste tipo de estudos.
Mas o que diz a directiva em questão é que os Estados-membros devem "tomar as medidas necessárias para garantir que, antes de concedida a aprovação, os projectos que possam ter um impacto significativo no ambiente - nomeadamente pela sua natureza, dimensão ou localização - fiquem sujeitos a um pedido de aprovação e a uma avaliação dos seus efeitos". E identifica como estando nesse caso novas infra-estruturas como as estradas cuja dimensão o justifique. Os ambientalistas invocaram na sua queixa que, na zona do Marquês de Pombal, local de "forte densidade demográfica", as normas de qualidade ambiental fixadas pela lei já foram ultrapassadas. Falam também da poluição e do incómodo que a obra causará.
O estudo de impacto ambiental destina-se a avaliar os efeitos directos e indirectos do projecto em causa sobre o homem, a fauna e a flora; o solo, o ar, a água, o clima e a paisagem; e sobre os bens materiais e o património cultural. Ainda segundo a mesma directiva comunitária, o dono da obra - neste caso, a Câmara de Lisboa - deve fornecer ao Estado uma descrição detalhada do projecto e dos elementos ambientais "susceptíveis de serem consideravelmente afectados", bem como "uma descrição das medidas previstas para evitar, reduzir e, se possível, compensar os efeitos negativos significativos". É-lhe igualmente exigível "um resumo das principais soluções alternativas estudadas e a indicação das principais razões da sua escolha, atendendo aos efeitos no ambiente".
As associações ambientalistas, que defendem que a legislação portuguesa sobre a matéria foi também violada, vêem na decisão da Comissão Europeia "um reconhecimento claro da validade" dos seus argumentos. E exortam a autarquia a mandar parar de imediato a obra em curso, até que os estudos em falta fiquem prontos. "Senão o caso pode vir a ser entregue ao Tribunal Europeu", antevê o ambientalista Carlos Moura, da direcção do núcleo de Lisboa da Quercus. Os custos financeiros e rodoviários da paragem dos trabalhos não parecem assustar os defensores do ambiente. "A câmara assumiu esses riscos quando avançou com a obra", observa este responsável.
Com a devida vénia ao Público
Administrador da Feira Popular Prefere Parque das Nações a Monsanto
O administrador da Fundação O Século, responsável pela Feira Popular, diz que prefere que o recinto de diversões venha a ser transferido para a zona do Parque das Nações, no concelho de Loures, em vez de ir parar ao Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa.
As declarações do administrador Rodolfo Crespo surgem depois de o presidente da Câmara de Loures, Carlos Teixeira, se ter manifestado favorável à instalação da feira no seu município. "Temos muito espaço", observa, acrescentando que também vê com bons olhos a ida para o seu concelho do casino planeado para Lisboa: "Se for para os terrenos do Parque das Nações, a Parque Expo poderá reduzir significativamente o seu défice. É tempo de nos deixarmos das pantominices do casino no Parque Mayer".
O PÚBLICO tentou obter uma reacção a estas ideias por parte da Parque Expo, mas tal não foi possível.
O concelho de Loures tem cerca de 20 quilómetros de frente de rio, entre o Parque das Nações e o município de Vila Franca. Carlos Teixeira admite que nenhum destes terrenos pertence à autarquia. "Mas somos nós que definimos as regras do jogo", recorda, numa referência aos poderes de planeamento urbanístico e ordenamento do território das câmaras.
A favor da sua pretensão de acolher uma Feira Popular renovada, "sem sardinhas assadas nem barracas de tiro", e também o casino, o autarca invoca os "custos muito reduzidos" daqueles terrenos à beira-rio, propriedade de privados: "Não têm aptidão nem para indústria nem para habitação. E não permitiremos que se especule com eles". Segundo indica, estarão nesse caso os terrenos "onde a Galp Energia tem depósitos de combustíveis desactivados".
O presidente da Câmara de Lisboa, Pedro Santana Lopes, disse na última reunião da assembleia municipal, realizada na passada terça-feira, ter abordado os seus homólogos de Loures e de Oeiras no sentido de transferir a feira para um destes concelhos. "Responderam-me: 'Agradecemos, mas não estamos interessados'", contou. O presidente da Câmara de Loures vem agora dizer que tal conversa nunca teve lugar. "Comigo nunca falou", assegura.
O único entrave que o administrador da Fundação O Século vê na transferência da Feira Popular para a zona ribeirinha de Loures, junto ao parque do Tejo e Trancão, está relacionado com os fortes ventos que ali se fazem sentir. "Seria preciso instalar pára-ventos", considera. "Mas desde que seja um recinto suficientemente moderno e rentável para poder financiar a obra social da fundação - que apoia crianças e idosos - está tudo bem". Desse ponto de vista, Monsanto não funcionaria tão bem: "Não vejo muito bem como é que se poderia fazer ali um parque de diversões moderno, e custaria muito dinheiro integrá-lo na paisagem, salvaguardando a natureza". O impacto dos automóveis dos visitantes é uma das objecções do administrador da feira.
Ainda João Soares era presidente da Câmara de Lisboa quando se começou a falar da saída do recinto de diversões de Entrecampos para o Parque das Nações. Santana Lopes anunciou esta semana que quer levar os 3,4 hectares do recinto a hasta pública. Quem os comprar poderá ali fazer prédios de habitação e escritórios, mas o autarca avisa que também exigirá do promotor imobiliário a construção de um espaço público.
De qualquer forma, a hasta pública só poderá ter lugar quando todo o terreno for pertença da câmara, o que não é ainda o caso. Uma parte significativa dele foi vendida pela autarquia ao Estado no final dos anos 60 por 30 mil euros, para uma central de camionagem. Esse equipamento nunca veio a nascer e Santana Lopes apresentou, na última reunião de câmara, uma proposta para que os terrenos regressem à posse do município pelo mesmo montante que foram vendidos.
Resta saber se o Ministério das Finanças vai nisso ou se exigirá uma actualização de preços. "João Soares tentou efectuar essa reversão e a Direcção Geral do Património opôs-se", recorda Rodolfo Crespo.
Com a devida vénia ao Público
Duzentas Explorações Só nas Serras de Aire e Candeeiros
A extracção de calcário para utilização em calçada à portuguesa está particularmente desenvolvida nas serras de Aire e Candeeiros - zona Norte do distrito de Santarém e Sul do distrito de Leiria -, onde existem, segundo a Associação Portuguesa de Exploradores da Calçada à Portuguesa, mais de 200 pequenas empresas, que empregam cerca de 700 trabalhadores. Nas pedreiras portuguesas extraem-se principalmente os calcários branco, preto e rosa, que são depois trabalhados em três formatos distintos de calçada: o quadrado, o sextavado e o malhete (tamanho variável). Depois é vê-la debaixo dos nossos pés, muitas vezes com belíssimos motivos decorativos.
O elevador do Lavra, o primeiro transporte a vencer uma colina de Lisboa, classificado como monumento nacional desde Fevereiro de 2002, celebra hoje 120 anos. O ascensor liga o Largo da Anunciada à Travessa do Forno do Torel. Usando inicialmente um sistema de tracção baseado num cabo que funcionava por contrapeso de água, utilizou também o vapor como força motriz até ser electrificado em 1915. As carroçarias eram nessa altura de madeira. Só em 1926 se adoptou o amarelo como cor distintiva do ascensor.
Abaixo assinado em defesa do Aqueduto das Águas Livres
08.03.2004
Abaixo-assinado dirigido ao
Senhor Presidente da Republica
Senhor Primeiro Ministro
Senhor Ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente
Senhor Ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação
Senhor Ministro da Cultura
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Amadora
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Odivelas
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Sintra
Senhor Presidente do IPPAR
Senhor Presidente da EPAL
O ano de 1731 marca o início da construção do Aqueduto de Lisboa, sistema de captação, transporte e distribuição de água para abastecimento da cidade.
Obra hidráulica da responsabilidade técnica de Manuel da Maia e Carlos Mardel, foi custeada em grande parte pelo real d’água, taxa paga pelo povo de Lisboa sobre os géneros de primeira necessidade. Daqui resulta o peso indestrutível de um património que se fez à custa de dificuldades e carências da população que, certamente já teria muitas.
A sua grandeza monumental traduz-se nos seguintes números: o aqueduto principal com 18,5 km atravessa os 940m do vale da Ribeira de Alcântara com 35 arcos sendo um deles o maior arco em pedra do mundo. Tem uma rede de captação de 30km de condutas e abastece uma rede de distribuição de 12km.
Completado por edifícios que abrigam as Mães de água, reservatórios e chafarizes, forma um conjunto de alto valor patrimonial pela arquitectura e a qualidade da construção, mas igualmente por ser o único sistema em «água livre» com esta dimensão e ainda por ter chegado praticamente intacto até nós, o que fundamenta e exige a sua conservação.
Sofreu algumas intervenções desastradas num passado não muito distante. Por isto mesmo, é tempo de dizer basta e não deixar livre a ignorância que permitiu tais desmandos. Hoje, temos consciência do valor em causa pelo que não poderemos permitir que se prejudique a integridade do seu conjunto. Hoje, já somos muitos a escolher entre uma auto-estrada e um monumento. E este, pelo seu impacto visual positivo, constitui um ex-libris da cidade e pelo que ele custou aos homens do seu tempo, exige de nós o respeito e o reconhecimento.
Os abaixo assinados, alertados pelas notícias referentes à construção do último lanço da CRIL, esperam que:
- seja completado o inventário deste monumento em toda a sua extensão;
- seja impedida, na prática, a demolição de qualquer dos seus elementos ou troços;
- a EPAL persista no seu esforço de defesa, valorização e divulgação deste património, que gere;
- as tutelas assegurem a vigilância para a sua protecção e os apoios necessários às operações de salvaguarda e valorização;
- as Câmaras em cujo território o Aqueduto está implantado – Amadora, Lisboa, Loures e Sintra, tratem com o cuidado indispensável e a dignidade devida, as zonas envolventes, tanto dos pontos visíveis como dos troços subterrâneos, de modo a não prejudicarem o monumento e a valorizá-lo.
- seja rapidamente accionada a sua candidatura a Património Universal, como meio seguro para a sua preservação.
Abaixo-assinado promovido pela associação
«Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana» (OPRURB)
Para o subscrever, envie uma mensagem para info@oprurb.org ou para arq.lopes@clix.pt indicando:
- Nome completo
- Profissão
- Número do Bilhete de Identidade
Ou envie estes elementos por carta para a seguinte morada:
Rua Sousa Martins nº 20 4º esq 1050-219 Lisboa
T: 213 556 902
CML atribuiu Medalha de Mérito a Maria José Valério
No passado dia 1 de Abril, no Fórum Lisboa, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes agraciou Maria José Valério com a Medalha de Mérito da Cidade, grau ouro.
Na ocasião dos 50 anos de carreira da artista, a homenageada presenteou o seu público fiel com alguns dos fados e canções que a celebrizaram. O espectáculo contou ainda com a actuação de numerosos artistas que, assim, contribuíram para abrilhantar a noite, num clima de festa e amizade.
Apesar do seu reconhecido sportinguismo, que se manifesta até capilarmente, saudamos a boa amiga, a popular cançenotista, marchista de Lisboa.
Teatro Municipal Maria Matos
Teatro Municipal S. Luiz
Artistas Unidos n´a capital - Teatro Paulo Claro
Casa Conveniente
Chapitô
Cineteatro da Encarnação
Clube Estefânia
Estrela Hall Theatre - The Lisbon Players
Os Papa Léguas - Teatro de Animação
Teatro - Estúdio Lanterna Mágica
Teatro - Estúdio Mário Viegas
Teatro Aberto
Teatro Camões
Teatro Casa da Comédia
Teatro Cinearte
Teatro da Comuna
Teatro da Trindade
Teatro de Bolso
Teatro de Carnide
Teatro do Bairro Alto - Companhia de Teatro da Cornucópia
Teatro do Século
Teatro Ibérico
Teatro Maria Vitória
Teatro Nacional de S. Carlos
Teatro Palco Oriental
Teatro Politeama
Teatro Taborda
Teatro Villaret
Artigo de opinião de Fernando Madrinha
Quando João Soares se lembrou de construir um elevador para o Castelo – projecto a que chamámos no EXPRESSO «A Grua do Borratém» - estava perto do fim do mandato. Tinha retirado os carros do Terreiro do Paço e algumas das mais nobres e antigas praças de Lisboa, com o Rossio na primeira linha, estavam a ficar de novo apresentáveis. Nem tudo era obra municipal, mas contava para balanço.
Só que João Soares tinha um problema, como se escreveu aqui na altura: não fora ele quem mandara construir o Terreiro do Paço, nem o Rossio, nem a Praça da Figueira, nem a do Martim Moniz - nem sequer a praça do município, que apenas reconstruiu, aliás bem e prontamente, depois de ter ajudado a combater um incêndio. Ora, um autarca que se preze quer deixar obra feita. De preferência que salte à vista e seja uma marca forte na cidade para ficar ligada ao seu nome. Foi por isso que Soares teve, ou alguém por ele, a ideia peregrina de instalar uma espécie de grua no Poço do Borratém a fazer de elevador para o Castelo.
Santana Lopes está agora como o mesmo problema. Vai a meio do mandato, tem pressa de decidir para si próprio um futuro que pode não passar pela recandidatura a Lisboa e quer deixar a sua marca na cidade. Mas, seja por falta de dinheiro na autarquia, seja por escassez de iniciativa ou de imaginação, o que temos à vista até agora é apenas um túnel de utilidade duvidosa no Marquês e um casino ainda envolto em algum mistério e incerteza. Daí que os projectos de arranha-céus para a beira-rio, da autoria de Siza Vieira e de Normam Foster, se apresentem ao autarca como uma tentação irresistível. Santana nem precisa de dizer explicitamente se é a favor ou contra as torres, pois, se fosse contra, decerto não lhe ocorreria pôr a sua eventual construção a referendo.
A tentação justifica-se porque dificilmente um presidente da Câmara de Lisboa poderia deixar marca mais forte e visível na cidade, para o bem ou para o mal, do que um ou dois conjuntos de torres gigantescas junto ao Tejo, que talvez ficassem para a posteridade como as torres de Santana – ou como aplauso pela ousadia modernista, ou para zombar do novo-riquismo pretensioso. Sobretudo se fossem construídas depois de um grande debate público e de um votação épica, como o presidente da Câmara diz pretender.
A insistência dos promotores imobiliários em fazerem pequenos Manhattans nas margens do Tejo – a coisa começou por Cacilhas, projecto que o ex-ministro José Sócrates chumbou, e bem, sem pestanejar – não precisa de justificação nem tem surpresa nenhuma: é a força do dinheiro e de uma falsa modernidade a tentarem impor-se. Santana podia fazer o que fez Sócrates e nem sequer suscitar o debate público. Mas uma vez que tem dúvidas - ou está tentado a dizer sim - é justo reconhecer que dá um sinal de ponderação e bom senso ao defender um referendo, por não se sentir mandatado para tomar uma decisão tão controversa. Se, para opor à força do dinheiro, já não há outra defesa que não a força do voto, então o referendo que venha. E não há que recear o desafio.
Com a devida vénia ao Expresso on line
A Quercus entregou ontem uma queixa à Procuradoria-Geral da República, ao Tribunal de Contas e à Provedoria de Justiça onde se requer que a Câmara Municipal de Lisboa seja intimada a entregar o processo e o contrato respeitantes à empreitada do túnel do Marquês, dadas as alterações ao projecto original.
Carlos Moura, da Quercus, diz que o projecto de construção que o Tribunal de Contas aprovou em Julho de 2003 sofreu "alterações significativas", sobre as quais a entidade não se pronunciou. As modificações em causa, datadas de Fevereiro de 2004, são a eliminação de um acesso ao parque de estacionamento do Parque Eduardo VII, a supressão das aberturas do túnel, que passa a ser totalmente fechado, e a eliminação da saída para a Rua da Artilharia 1.
"O contrato visado pelo tribunal não corresponde ao actual contrato, pois a obra que está neste momento a ser executada e que foi autorizada pela Câmara Municipal de Lisboa é diferente daquela que foi levada a concurso", lê-se na queixa da Quercus, que preconiza a "fiscalização prévia" do novo contrato pelo Tribunal de Contas.
A associação ambientalista contesta também a alteração do caderno de encargos resultante da modificação do traçado do túnel. "Há trabalhos suprimidos que eram parte essencial do caderno de encargos", acrescenta o documento, defendendo que, face às "alterações substanciais", a autarquia "deveria ter-se abstido de adjudicar a obra e determinado a abertura de novo concurso público".
"Fica por saber se outra empresa, que viesse a conhecer o caderno de encargos tal e qual hoje está, apresentaria uma proposta mais vantajosa para o erário e para o interesse público", continua a queixa, salientando que a adjudicação da obra foi feita ao consórcio CME/Tâmega por "um valor 24,99 por cento acima do valor base do concurso".
"Há situações que não são claras e sobre as quais o Tribunal de Contas não se pronunciou", conclui Carlos Moura, criticando a "falta de transparência" e os "atropelos ao interesse público" que diz estarem a marcar o processo de concepção e construção do túnel do Marquês. Junto do gabinete do vereador das obras municipais da Câmara de Lisboa não foi possível obter qualquer comentário.
As alterações ao projecto do Túnel do Marquês já tinham sido contestadas em Janeiro pela distrital do PS de Lisboa, que levantou a hipótese de o contrato visado pelo Tribunal de Contas ser muito diferente da obra actual. Na altura, o Partido Comunista Português entregou uma exposição ao organismo alertando para "alterações essenciais ao projecto" efectuadas e para a "legalidade duvidosa" do processo.
Com a devida vénia ao Público
A calçada portuguesa é um ex libris de Lisboa. Ontem, em artigo publicado no DN, José Vacondeus exorta Santana Lopes a pavimentar os passeios da nossa querida cidade com aquelas lages cinzentas e incaracterísticas, para os transeuntes não escorregarem. Por favor, não, não e não. Não quero ver Lisboa de lagedo apócrifo. Não quero ver Lisboa alcatifada com medida bruxelense. Não quero ver Lisboa igual a qualquer outra. Será preciso fundar um movimento cívico?
O Olissipo vai descansar uns diazitos. Boa Páscoa para todos os que amam Lisboa e para os que não.
Assembleia Municipal de Lisboa Suspensa no Meio de Um Tumulto
Por JOSÉ ANTÓNIO CEREJO
Vaias, gritos, longas pateadas e intermináveis batucadas nos tampos das mesas marcaram ontem a reunião da Assembleia Municipal de Lisboa. Forçado pelas circunstâncias, o presidente da assembleia, Modesto Navarro (PCP), não teve outro remédio senão suspender os trabalhos e convocar os líderes das bancadas para uma reunião de emergência que se prolongou por quase hora e meia.
Na origem destes "acontecimentos gravíssimos" - como lhes chamou Modesto Navarro ao anunciar o recomeço da reunião por acordo entre os grupos partidários - esteve uma invulgar intervenção do presidente de uma associação de moradores do bairro da Boavista, que já vinha na sequência de duas outras do mesmo teor e igualmente produzidas por associações de bairros sociais. Contrariamente ao que é habitual, os responsáveis pelas associações desdobraram-se em louvores à actuação do município e da vereadora responsável pela habitação, Helena Lopes da Costa.
Levado pelo entusiasmo e desagradado com os comentários do PCP e do PS, Manuel Monteiro, presidente da associação de moradores da Boavista, referiu-se aos deputados da oposição como "palhaços". O presidente da mesa avisou-o de que lhe cortaria a palavra se voltasse a falar naqueles termos e de imediato desligou-lhe o microfone - depois de constar e anunciar que ele já tinha esgotado o seu tempo. Em defesa do orador, o presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, Armando Estácio (PSD), gritou para Modesto Navarro: "O senhor é indigno de estar aí onde está." Ao que Modesto Navarro retorquiu: "O senhor é que não merece ser deputado desta assembleia."
Ofendido com a reacção do presidente, o líder da bancada do PSD, Pedro Portugal, levantou-se e correu pelas escadas acima em direcção ao microfone fechado. Aos berros, no meio da batucada e da gritaria da oposição, o social-democrata dizia que queria fazer "um protesto", o presidente respondia-lhe que não lhe tinha dado a palavra, mas Pedro Portugal lá conseguiu fazer ouvir a sua voz: "Quem não tem categoria para ser presidente desta mesa é o senhor".
Face ao tumulto gerado, Modesto Navarro anunciou a suspensão da sessão e convocou de imediato uma reunião da conferência de líderes. Quase uma hora e meia depois os trabalhos foram retomados, com os ânimos serenados, e logo à segunda intervenção do público surgiu o último dos quatro lisboetas que ali foram elogiar, em nome de mais uma associação, a gestão dos bairros municipais.
Já fora da sala das sessões, Manuel Monteiro declarou que o seu desabafo sobre os "palhaços" se ficou a dever ao facto de os deputados da oposição estarem a "gozar" consigo. Instados pelo PÚBLICO, alguns dos dirigentes da sua associação explicaram a coincidência de terem vindo quatro congéneres louvar o trabalho da câmara. "Fizemos um encontro no dia 3 e 4 em que participaram 17 associações, discutimos a situação dos bairros e alguns de nós disseram que vinham cá hoje." E onde é que foi esse encontro? "Não temos interesse em dizer isso porque foi o que combinámos na reunião."
O PÚBLICO soube entretanto que técnicos do gabinete da vereadora Helena Lopes da Costa e da Gebalis, a empresa municipal que gere os bairros municipais, tiveram este fim-de-semana encontros com diversas associações de moradores para discutir diversos assuntos relativos a esses bairros.
Com a devida vénia ao Público
Os restos mortais de Fernando de Bulhões, Santo António de Lisboa, são transferidos para a basílica com o seu nome em Pádua.
Parece que a Primavera decidiu finalmente visitar Lisboa. A quadra pascal é uma boa altura para, aproveitando a maré do bom tempo, peregrinar em Lisboa. E nada melhor, mesmo passados tantos anos, do que peregrinar com o célebre Norberto Araújo.
As célebres Peregrinações Em Lisboa , da autoria do grande olissipógrafo Norberto Araújo, foram editadas em 1942 pela Parceria A. M. Pereira e reeditadas em boa hora, em 1992, pela Vega, com o patrocínio da Fundação Cidade de Lisboa. Com um prefácio de Appio Sottomayor, os 15 volumes desta obra de referência conduzem-nos pelos recantos e pela história de Lisboa, juntando o erudito, o pitoresco e a informação essencial sobre a história desta cidade única.
Abaixo-assinado Contra Destruição do Aqueduto Mobiliza Instituições Internacionais
O abaixo-assinado contra a destruição de um troço do Aqueduto das Águas Livres devido à construção da CRIL já ultrapassou as fronteiras portuguesas, contando com o apoio do vice-presidente do Parlamento Europeu e de representantes da UNESCO.
Várias figuras ilustres colocaram as suas assinaturas no abaixo-assinado promovido pela Associação Ofícios do Património e Reabilitação (AOPRU) para defender um troço de 180 metros dos Aqueduto, ameaçado de destruição devido à construção do último lanço da CRIL (Buraca-Pontinha).
Entre estas encontram-se o vice-presidente do Parlamento Europeu, responsáveis da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) espanhola e o presidente do ICOMOS (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios) brasileiro, além de responsáveis portugueses ligados a associações de defesa do património não governamentais.
"É difícil as pessoas ligadas a instituições oficiais nacionais assinarem este documento, porque estariam a ir contra uma decisão do Governo", justifica o presidente da AOPRU, Filipe Lopes. Apesar de tudo, o abaixo-assinado que circula na internet e através de listas já conta com cerca de mil assinaturas.
O projecto de execução do último lanço da Circular Regional Interna de Lisboa (CRIL) prevê a destruição de um troço de 180 metros do aqueduto. O projecto foi aprovado em Fevereiro pelo Ministério do Ambiente, embora não tenha merecido o aval da Comissão de Avaliação do estudo de impacte ambiental que destacou, a nível patrimonial, os efeitos negativos da obra sobre o Aqueduto das Águas Livres.
O arquitecto Filipe Lopes defende a procura de soluções alternativas, salientando a importância do monumento "como um todo". "O Aqueduto só faz sentido mantendo a sua integridade e a sua rede, com a água a correr lá dentro", salientou.
A AOPRU salienta, no abaixo-assinado, que o Aqueduto já "sofreu algumas intervenções desastradas num passado não muito distante e por isso mesmo é tempo de dizer basta e não deixar livre a ignorância que permitiu tais desmandos". Exemplo disto foram os cortes provocados pela construção do Viaduto Duarte Pacheco e da Avenida Infante Santo.
No abaixo-assinado, a associação exige que seja completado o inventário deste monumento em toda a sua extensão e que seja impedida, na prática, a demolição de qualquer um dos seus elementos ou troços.
O aqueduto foi classificado como Monumento Nacional em 1910, mas só em 2002 foi possível incluir toda a sua extensão (quase 60 quilómetros) nesta classificação, graças a uma nova redacção do decreto que redefine o percurso. O processo para a candidatura a património mundial foi iniciado em 1998, mas até hoje nenhum Governo avançou com a proposta.
Com a devida vénia à Lusa
A DECISÃO: Eléctrico 18 Mantém-se Aos Fins-de-semana
Afinal, a carreira de eléctricos 18, da Carris, vai manter-se aos fins-de-semana e feriados por mais três meses, período em que estará em avaliação para que se verifique qual o nível de procura, anunciou ontem o secretário de Estados dos Transportes. A suspensão dessa carreira aos fins-de-semana fora já anunciada pela Carris, no âmbito do plano de reestruturação da empresa. Mas Seabra Ferreira disse ontem ter "pedido ao presidente da Carris que suspenda a decisão de suprimir aquela carreira aos sábados, domingos e feriados e que nos próximos três meses se apure a procura existente, para se poder analisar o impacto das medidas que tinham sido traçadas pela empresa, que são susceptíveis de serem reorientadas". Questionado sobre a anunciada denúncia do acordo do passe social pelas operadoras privadas, o secretário de Estado dos Transportes disse estar convicto de que "ao longo do mês de Abril se encontrará uma solução, que não resultará em prejuízo para as pessoas". Mas escusou-se a explicitar se essa solução passará pelo pagamento das indemnizações compensatórias já reivindicado pelas operadoras privadas. "Não vou adiantar mais nada." O sistema dos passes sociais e combinados abrange, na Grande Lisboa, dez operadores de transportes, mas os quatro transportadores privados - Vimeca, Scotturb, Rodoviária de Lisboa e Transportes Sul do Tejo - já afirmaram que vão rescindir o contrato a partir de 1 de Junho, deixando de aceitar estes títulos nessa data.
Com a devida vénia ao Público
Ribeiro Telles Defende Estatuto de Parque Natural para Monsanto
O arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles considerou quinta-feira que a "salvação" do Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa, está na alteração do seu estatuto para parque natural, dedicado ao contacto das pessoas com a natureza.
"A grande salvação de Monsanto é ter o mesmo estatuto que a Serra de Sintra ou da Arrábida: ser parque natural", defendeu Ribeiro Telles durante uma sessão de debate público na sede da Junta de Freguesia de Alcântara, que reuniu vários contestatários à intenção da Câmara de Lisboa de transferir para aquele espaço a Feira Popular e o Hipódromo do Campo Grande.
Recordando que Monsanto foi criado na década de 1940, num solo anteriormente ocupado com culturas de trigo, Ribeiro Telles afirmou que "agora tem o solo vegetal, com capacidade de reter a água e de ter vegetação natural", ou seja, o que se observa actualmente é que "está a nascer uma mata". A defesa de Monsanto, defendeu, passa pela sua "ligação à cidade através do peão e da bicicleta", criando corredores a partir da Avenida da Liberdade, Parque Eduardo VII ou Benfica com destino ao parque, e pela recuperação da ribeira de Alcântara.
Para Ribeiro Telles, o regime de parque florestal é insuficiente por ser "apenas administrativo", e só a mudança de estatuto do parque pode travar as intenções da maioria social-democrata na Câmara de Lisboa de ali instalar novos equipamentos.
A sessão contou com a presença de deputados municipais do PS, PCP, partido ecologista Os Verdes e Bloco de Esquerda, que foram unânimes na condenação da instalação em Monsanto da Feira Popular e do hipódromo.
Para Dias Baptista, líder da bancada socialista na Assembleia Municipal de Lisboa, "a ambição de levar os cidadãos a usufruir de Monsanto é importante e um passo necessário", mas "contraditória com a intenção de levar a Feira Popular", uma medida "absolutamente inaudita e inacreditável". Dias Baptista desafiou a recém-criada Plataforma por Monsanto, constituída por ambientalistas e grupos de moradores e frequentadores do parque, a pedir ao presidente da câmara, Pedro Santana Lopes, "que faça sair de Monsanto o campo de tiro".
Para o PS, a Câmara de Lisboa "está a procurar fazer o loteamento de Monsanto", uma questão também referida pelo líder da bancada do PCP, Martinho Baptista, e por Carlos Marques, do Bloco de Esquerda. Do executivo camarário, apenas o vereador comunista Manuel Figueiredo esteve presente, e manifestou a convicção de se "conseguir que o presidente não leve por diante os seus desígnios".
Numa carta enviada para a Junta de Freguesia de Alcântara, Francisco Keil do Amaral, filho de um dos principais criadores do parque de Monsanto, considerou que ao longo dos anos o parque foi "'ratado', servindo como 'área de reserva' para o que mais houvesse para instalar, de uma forma barata, pois o terreno era gratuito". "Essa situação de 'área expectante' também justificou períodos de grande abandono, com a consequente degradação e o afastamento das pessoas", afirma, considerando que "a política actual já não será exactamente a mesma, mas talvez seja mais perigosa: a de rentabilizar tudo em termos económicos".
O representante da Plataforma por Monsanto e da associação ambientalista Quercus, Carlos Moura, destacou que "a Feira Popular e o hipódromo nada têm a ver com o parque florestal", adiantando que "Monsanto não é um parque urbano, é um parque florestal, e assim os seus usos não permitem estes equipamentos". Para a Plataforma, a discussão sobre Monsanto deve centrar-se na sua "requalificação enquanto parque florestal e na sua utilização, pela população, enquanto tal".
Dos populares que intervieram no debate, todos rejeitaram também a transferência destes equipamentos para o parque. O futuro de Monsanto e do Parque da Bela Vista, em Chelas, vão ser debatidos na próxima reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, dia 6 de Abril.
Com a devida vénia à Lusa
Túnel do Marquês Espera Decisão do Tribunal
O advogado José Sá Fernandes vai entregar ao Tribunal Administrativo de Lisboa, no início da próxima semana, a acção principal da providência cautelar interposta em Janeiro que consiste na análise da legalidade da obra do túnel do Marquês.
"Todas as providências cautelares têm uma acção principal, que neste caso é analisar a ilegalidade da obra", disse Sá Fernandes à saída da sala de audiência do tribunal administrativo, onde ontem foi ouvida a última testemunha arrolada no processo movido por Sá Fernandes contra a Câmara de Lisboa e as construtoras envolvidas na construção do túnel.
"O que se tem estado aqui a discutir é se a obra deve parar ou não. Depois é preciso saber se a obra é ilegal", disse o advogado aos jornalistas. Entre as ilegalidades apontadas por José Sá Fernandes estão a inexistência de um projecto de execução completo, a falta de estudos de tráfego, ambientais e do sub-solo.
O colectivo de juízes ouviu ontem a última testemunha no processo: Vaz da Silva, engenheiro e um dos fundadores da Triede, uma das empresas envolvidas no projecto do túnel do Marquês. Questionado pelos advogados da autarquia sobre o projecto de execução, Vaz da Silva disse que "numa obra de concepção/execução o empreiteiro tem de conhecer bem a obra para poder dar o seu preço e concorrer", razão pela qual "o projecto apresentado a concurso já era suficiente pormenorizado". Explicou ainda que as empresas construtoras vão fazendo sondagens e estudos geológicos "à medida que a obra vai avançando e vai havendo mais informações".
Sá Fernandes questionou o engenheiro sobre se algum dos estudos efectuados tinha analisado o risco rodoviário potenciado pela "elevada" inclinação do túnel, que terá uma pendente média de 8,9 por cento. "O perigo de acidente no túnel se calhar não é diferente do perigo de um acidente numa auto-estrada", disse Vaz da Silva, garantindo que a "proposta apresentada teve em conta a melhor técnica de produzir soluções que minimizem os impactos no ambiente".
O colectivo de juízes vai receber hoje os projectos do túnel solicitados aos advogados da autarquia, desconhecendo-se ainda a data em que será divulgada a decisão judicial. O julgamento começou na passada quinta-feira com a audição de testemunhas arroladas por Sá Fernandes, que, a pedido do colectivo de juízes, desistiu de ouvir os arquitectos Ribeiro Telles e Rui Valadas. O tribunal decidiu ainda, com a concordância da defesa, não ouvir algumas testemunhas arroladas pelas construtoras e pela autarquia, por considerar que já havia informação suficiente.
Com a devida vénia à Lusa
Futuro da Antiga Fábrica de Gás da Matinha nas Mãos da Câmara
Está nas mãos da câmara o futuro dos gasómetros da antiga Fábrica de Gás da Matinha, na zona ribeirinha oriental de Lisboa, depois de o Ippar ter proposto ao executivo de Santana Lopes que lhe atribua a classificação de Interesse Municipal.
O processo de classificação, iniciado em 2001, chegou a motivar críticas do autarca aos técnicos do Instituto Português do Património Arquitectónico em Setembro desse ano, durante um debate na Assembleia Municipal. "De repente eles lembram-se de embirrar e avançam com estas medidas", disse, referindo-se ao antigo complexo fabril que especialistas consideram "um importante património industrial".
O Conselho Consultivo do Ippar deliberou por unanimidade atribuir valor patrimonial aos gasómetros da Matinha, mas "entendeu que esse conjunto tem interesse sobretudo para Lisboa e para a sua história", disse ao PÚBLICO João Rodeia, presidente do Ippar. Tal entendimento já foi comunicado à Câmara de Lisboa, "cabendo a ela deliberar sobre o destino a dar" a esse conjunto de quatro gasómetros únicos em Portugal e algumas construções fabris. Uma posição que, por ser uma mera sugestão, não vincula a câmara, que para ali projecta uma operação urbanística.
Requalificação deve ter em conta o espírito do lugar
O parecer aprovado pelo Conselho Consultivo a 5 de Fevereiro e subscrito pelo director regional de Lisboa do Ippar, Flávio Lopes, pelo presidente do Instituto Português de Arqueologia, Fernando Real, e pela ex-vereadora da Cultura da CML e docente universitária, Maria Calado, conclui que "a protecção e valorização, no todo ou em parte, da antiga Fábrica de Gás da Matinha, situada em Cabo Ruivo, representa um valor cultural de significado para o Município de Lisboa, podendo enquadrar-se, assim, na categoria de valor municipal". O parecer acrescenta que todo este espaço de Cabo Ruivo "ganhará com uma acção de requalificação urbanística", assente em projectos "que interpretem o espírito do lugar".
Ao ponderar a proposta de classificação que lhe foi feita, o Ippar deparou-se com um problema de eficácia, disse ao PÚBLICO Flávio Lopes, novo director regional de Lisboa. "Este tipo de património é difícil de gerir e só faz sentido classificá-lo se por trás dele existirem meios financeiros e técnicos para lhe acudir. Tal como está, aquilo dura mais 20 anos, não dura mais. Uma gestão de todo aquele conjunto exigiria fundos incomensuráveis e não teria sentido. Com um orçamento de um milhão e tal de contos para toda a Lisboa e Vale do Tejo não é possível", resumiu. "Uma classificação, de âmbito nacional, não significaria que surgissem recursos para a sua manutenção", sublinhou ainda.
Desde 1999 que o Instituto não faz classificações de nível concelhio, competência transferida para os municípios pela Lei n.º 159/99, de 14 de Setembro, cujo artigo 20º lhes incumbe "proceder à classificação de imóveis conjuntos ou sítios considerados de interesse municipal e assegurar a sua manutenção e recuperação".
"O Ippar reconheceu valor ao que lá está. As câmaras devem compreender que o desenvolvimento pode ser compatibilizado com a preservação do património. Uma classificação não é impeditiva, mas apenas condicionante dos projectos que haja para o local", acrescentou João Rodeia.
Explicando por que razão o Ippar se ficou pelo parecer favorável a um estatuto de interesse concelhio - que especialistas em arqueologia industrial consideram insuficiente face aos projectos urbanísticos em desenvolvimento para a zona -, João Rodeia notou que o valor do conjunto na Matinha "não é claramente arquitectónico e apresenta um problema de contaminação de solos, não impossível, mas difícil de combater". A Câmara de Lisboa - revela o texto do parecer - entende que é necessária uma descontaminação e que isso "implica necessariamente o desmonte das estruturas dos gasómetros".
Rodeia entende, no entanto, que "se o país começa a classificar todas as zonas industriais pesadas, sem lhes deixar qualquer alternativa de uso, criar-se-á uma situação muito complicada".
"Deixar uma marca do que foi aquela zona"
A ideia de urbanizar o local já tem anos e surgiu logo da parte da Galp, dona de parte dos terrenos. Mesmo para Carlos Furtado, um estudioso da história dos combustíveis, esse é um dado adquirido que pode ser compatível com a preservação de algum testemunho de uma das primeiras indústrias de distribuição nascidas em Lisboa.
A fábrica começou a laborar em 1944, mas é o sucedâneo das unidades que existiram em Belém e na Boavista. "Bastaria manter o gasómetro maior - que pode ser reutilizado como local de espectáculos, ou miradouro, por exemplo - e a zona de contagem/odorização contígua", afirma.
Segundo Carlos Furtado, aqui a contaminação dos solos não será tão intensa como na zona da Expo 98: "Aqui a poluição está sobretudo nos milhões de metros cúbicos de água que se encontra nas cubas dos gasómetros e que será preciso retirar. Feito isso, seria possível deixar ali uma marca do que foi aquela zona, a mais importante em termos da história do gás de cidade. Os gasómetros já são muito raros na Europa, mas há casos de preservação, como na Áustria, na Alemanha ou em Espanha (Barcelona)", disse.
A ideia de ser mantido um dos gasómetros, que ficaria no centro de uma futura rotunda, libertando o resto para construção, chegou a constar dos estudos preparatórios do PUZRO (Plano de Urbanização da Zona Ribeirinha Oriental), actualmente em fase final de elaboração.
Com a devida vénia ao Público
A Fábrica de Gás da Matinha, refere o parecer do Ippar citado, "cristaliza cerca de 150 anos da história da indústria do gás e dos combustíveis em Portugal, constituindo um testemunho dos avanços técnicos da industrialização na cidade de Lisboa". É um exemplo do processo de concentração industrial dos anos 30 e 40 do século passado, ao longo do "corredor" de Vila Franca de Xira e na Margem Sul do Tejo. É "o último exemplo industrial do género", nota o parecer. A antiga fábrica chegou a ser objecto de dois projectos de musealização, em 1995 e em 1999, mas nenhum deles se concretizou.
Os gasómetros ali instalados são grandes reservatórios de gás cilíndricos com um sistema de funcionamento "extremamente singular: dispunha de um sistema articulado que, quando se encontrava vazio, deixava à vista as colunas de guiamento, o que tornava variável a própria paisagem industrial" (ver foto). O maior tem capacidade para cem mil metros cúbicos, com um diâmetro semelhante ao da Praça de Touros do Campo Pequeno. São o testemunho mais visível da grande inovação da iluminação pública lisboeta - inaugurada no Verão de 1848 - e da banalização do consumo doméstico de gás, a partir dos anos de 1930, em substituição do carvão.
A Matinha, segundo tese de mestrado da arquitecta Maria de Fátima Jorge, é importante não só por testemunhar os últimos 55 anos da indústria do gás, mas também pelo desaparecimento das anteriores fábricas - a da Boavista (1846) e a de Belém (1889). A primeira foi demolida em 1949 e da segunda resta apenas uma fachada neogótica visível para quem passe na Av. 24 de Julho.
Com a devida vénia ao Público
Ajuda Contra Alteração da Carreira do Eléctrico 18
O presidente da Junta de Freguesia da Ajuda, em Lisboa, acusou a Carris de se comportar "como senhora e dona da cidade" ao anunciar que a carreira 18 do eléctrico deixaria de circular aos feriados e fins-de-semana.
Joaquim Granadeiro disse que diversos moradores já se deslocaram à Junta de Freguesia da Ajuda a manifestar a sua indignação por esta medida da transportadora, que anunciou terça-feira a supressão de uma carreira e a alteração de outras 12, incluindo a 18, a partir de hoje.
"Não compreendemos que se tomem estas decisões sem o acordo das juntas de freguesia", disse o autarca, que acusa ainda a Câmara de Lisboa de ter negociado estas alterações com a Carris sem ouvir as freguesias, como era prática comum.
Joaquim Granadeiro lembrou que a Ajuda é uma freguesia habitada por uma população maioritariamente idosa que já hoje "luta contra as dificuldades de transportes", já que a Carris é a única transportadora a que tem acesso. "Não há metro, não há comboios, e a Carris, em vez de reforçar estas zonas periféricas, anda a passear pela Avenida da Liberdade, por cima do Metro", disse.
Os argumentos utilizados pela Carris para justificar as alterações à circulação foram o de racionalizar a oferta e o de articular a sua rede com a do Metro. O coordenador da Unidade de Controlo Operacional e Planeamento da Rede da Carris, José Maia, disse à Lusa que "a Carris tem vindo a perder muitos clientes" e é preciso reajustar a rede à procura. É preciso "reduzir a oferta onde está excedentária e aumentá-la onde é deficitária", comentou, lembrando que estas alterações fazem parte do projecto de reestruturação em curso na Carris.
O presidente da Junta de Freguesia da Ajuda disse ter já enviado ofícios para o Ministério dos Transportes, a Direcção Geral dos Transportes Terrestres, a Câmara Municipal de Lisboa e a Carris, manifestando a indignação da população da Ajuda, que perde assim mais uma forma de transporte.
Segundo o autarca, a actual decisão de suspender a carreira 18 do eléctrico é adversa à decisão da Assembleia da República, que em 2000 se manifestou contra a suspensão daquela mesma carreira, por decisão de todos os partidos com assento parlamentar.
Com a devida vénia à Lusa